Arquitectura e Música, por José de Brito Guerreiro

 Já publicado no Estrolabio em 28 de Dezembro de 2010



«A relação da Arquitectura com a Música remonta aos primórdios do pensamento humano. (…)


Concretamente a Arquitectura e a Música partilham muitas características: ritmo, harmonia, ordem, proporção, repetição, contraste, tons, frases compositivas, estruturas matemáticas. (…)


Os métodos utilizados para conceber e manifestar ambas as artes possuem um núcleo compositivo similar.


A Arquitectura e a Música situam-se no domínio da abstracção, alheias a qualquer  representação figurativa, transcendendo as aparências exteriores da realidade. Diferem das artes plásticas e visuais porquanto não procuram a imitação de objectos reais. Exprimem-se mediante conceitos e formas próprios.


As obras arquitectónicas, como as musicais, são fruídas por meio da quarta dimensão, o tempo, o que reforça o vínculo entre estas duas artes. A Música manifesta-se pela relação entre som e tempo. A Arquitectura exprime-se pela conexão entre espaço-luz e tempo. Luz que revela a conformação da matéria, e tempo que o contemplador precisa no percurso para captar e perceber as harmonias espaciais.


O ‘som’ da Música corresponde ao ‘cheio’ da Arquitectura. O ‘silêncio’ da Música é o ‘vazio’ da Arquitectura. E o som não se propaga onde não existe matéria.»

 

José de Brito Guerreiro


Arquitectura e Música: Correspondências · Tangências · Aproximações

Janeiro de 2008

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