Já publicado no Estrolabio em 28 de Dezembro de 2010
«A relação da Arquitectura com a Música remonta aos primórdios do pensamento humano. (…)
Concretamente a Arquitectura e a Música partilham muitas características: ritmo, harmonia, ordem, proporção, repetição, contraste, tons, frases compositivas, estruturas matemáticas. (…)
Os métodos utilizados para conceber e manifestar ambas as artes possuem um núcleo compositivo similar.
A Arquitectura e a Música situam-se no domínio da abstracção, alheias a qualquer representação figurativa, transcendendo as aparências exteriores da realidade. Diferem das artes plásticas e visuais porquanto não procuram a imitação de objectos reais. Exprimem-se mediante conceitos e formas próprios.
As obras arquitectónicas, como as musicais, são fruídas por meio da quarta dimensão, o tempo, o que reforça o vínculo entre estas duas artes. A Música manifesta-se pela relação entre som e tempo. A Arquitectura exprime-se pela conexão entre espaço-luz e tempo. Luz que revela a conformação da matéria, e tempo que o contemplador precisa no percurso para captar e perceber as harmonias espaciais.
O ‘som’ da Música corresponde ao ‘cheio’ da Arquitectura. O ‘silêncio’ da Música é o ‘vazio’ da Arquitectura. E o som não se propaga onde não existe matéria.»
José de Brito Guerreiro
Arquitectura e Música: Correspondências · Tangências · Aproximações
Janeiro de 2008

Existe uma tese de mestrado (1998/2000) publicado pela Papiro Editora com o tema “arquitectura e música: uma visão estruturalista”