Ele há leques… e leques! por clara castilho

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Os leques terão tido a sua origem na China Antiga, onde se tornaram parte integrante do costume nacional, sendo usado pelos reis como um sinal de dignidade. Da China passou para o Japão, onde também foi de uso constante.

Os leques existentes séculos a.c. eram muito grandes, não podiam ser fechados e só deles beneficiavam os senhores que podiam encarregar desta tarefa os seus escravos ou onde era uma honra podem  abanar o Faraó. Na Grécia, abanar a esposa durante o sono era uma grande prova de amor do recém-casado, garantindo-lhe o perdão por qualquer falta que tenha cometido. Em Roma havia escravos especialmente designados para abanarem as patrícias e seus convidados em dias de intenso calor. 

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Os portugueses, com os Descobrimentos, ao chegarem ao Japão ficaram a conhecer os leques retráteis. Este conhecimento  espalhou-se  pela Europa. E foi moda que se instalou nas Cortes e salões.

Para além de refresca o leque tinha também a função de ser  fonte de linguagem codificada das damas para os cavalheiros. Por exemplo:  “Amo-te” – esconder os olhos com o leque aberto.; “Aproxime-se” – andar com o leque, conduzindo-o aberto na mão esquerda;  “Quando nos veremos? “ – leque aberto no colo; “Não me esqueça” – tocar o cabelo com o leque fechado; “Adeus “-aAbrir e fechar o leque; “Sim” apoiar o leque no lado direito do rosto; “Não” – apoiar o leque no lado esquerdo do rosto.

Ao longo dos séculos, os leques foram feitos em diversos materiais e formatos ( folhas, penas, plumas) A partir do século XV começaram a ser usados os leques propriamente ditos, reversíveis ou de fecho, constando de duas partes principais: a armação, pequenas hastes sobrepostas, e a folha, esta em papel, pergaminho, pano pintado (geralmente à guache), rendas e gaze, bordadas com lantejoulas, fios de ouro e dourados.

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 Leque tipo baralho (somente varetas, sem guarnição de tecido – neste caso, as varetas estão unidas por uma fita de 1 cm de largura), feito de ébano totalmente entalhado, gravado e pintado à mão pelo esmerado artesão valenciano R. Quiles.

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Leque com varetas de marfim filigranadas. Tela dupla, pintada por Grassman, representando uma cópia da pintura de Ricci, “O concerto”. No reverso, a pintura é a suave paisagem de um lago. Primeira metade do século XX.

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Madame de Stäel, disse a respeito do leque: “Há tantos modos de se servir de um leque que se pode distinguir, logo à primeira vista, uma princesa de uma condessa, uma marquesa de uma routurière. Aliás, uma dama sem leque é como um nobre sem espada.” 

E os tempos passaram, fui contactando com vários leques e de alguns me servindo. Uns de familiares, outros comprados por mim, buscando a sua utilidade de me refrescar. Gostei especialmente de uns em papel que acabavam por se estragar.

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Foi com espanto que recentemente vi à venda em lojas de vários museus outro tipo de leques, em plástico leve e reproduzindo obras, ou partes, existentes nesses serviços e a preços acessíveis. Não pude resistir! E era também com espanto que vários olhares se me dirigiam quando dele me utilizava, em cafés, reuniões, durante a época quente.

Como os objectos actuais que são para gastar e deitar fora, teve vida efémera ! Ao fim de dois meses estava estragado. Ora, entremos no espírito do século e compremos outro! Aqui vos deixo alguns exemplos.

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