João Rui de Sousa – Portugal
(1928 – )
A VOCAÇÃO DOS POETAS
Como quem pega na vida
por vezes além da hora,
como quem treina o palato
com limões de estranha história,
mas que decorre do acto
de nada deixar de fora,
tal é a voz que é semente
e que é fruto e é fermento
de quem em fogo labora,
de quem em chamas se sente:
Sem pagar juros de mora
cumpre sempre o seu contrato:
o de não esquecer os sonhos
nem omitir qualquer facto.
(de “Lavra e Pousio”)
Co-dirigiu, com outros, em 1955, a revista “Cassiopeia”. Pertence a uma geração poética que assimila e supera as estéticas surrealista e neo-realista. A estreia em livro data de 1960, “Circulação”. Outras obras: “A Habitação dos Dias” (1962), “Obstinação do Corpo” (1996), “Os Percursos, as Estações” (2000), “Obra Poética. 1960-2000” (2002), “Lavra e Pousio” (2005). Em 2012 foi distinguido com o prémio “Vida Literária” da APE.
