POESIA AO AMANHECER – (5) – por Manuel Simões

João Rui de Sousa – Portugal

(1928 –   )

                                               A VOCAÇÃO DOS POETAS

Como quem pega na vida

            por vezes além da hora,

            como quem treina o palato

            com limões de estranha história,

            mas que decorre do acto

            de nada deixar de fora,

            tal é a voz que é semente

            e que é fruto e é fermento

            de quem em fogo labora,

            de quem em chamas se sente:

 

            Sem pagar juros de mora

            cumpre sempre o seu contrato:

            o de não esquecer os sonhos

            nem omitir qualquer facto.

(de “Lavra e Pousio”)

Co-dirigiu, com outros, em 1955, a revista “Cassiopeia”. Pertence a uma geração poética que assimila e supera as estéticas surrealista e neo-realista. A estreia em livro data de 1960, “Circulação”. Outras obras: “A Habitação dos Dias” (1962), “Obstinação do Corpo” (1996), “Os Percursos, as Estações” (2000), “Obra Poética. 1960-2000” (2002), “Lavra e Pousio” (2005). Em 2012 foi distinguido com o prémio “Vida Literária” da APE.

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