FUGGER – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 

Sou Fugger, banqueiro do século XVI. Digo, para quem me queira ouvir: 

–  Escravos? Para quê escravos? Um escravo custa dinheiro, tem um preço de compra, exige um investimento inicial e, depois de comprado, logo em seguida pode morrer. Não corro riscos desnecessários. Corram-nos os portugueses e os espanhóis nas suas colónias. A decisão é deles e as consequências também. Não quero escravos, quero operários para as minhas minas da Boémia. Pago-lhes ao dia ou à semana. Pago-lhes quanto lhes basta para viver. E assim, se o operário viver dez anos, só em dez anos lhe pago o que, antecipadamente, me custaria um escravo. Não faço investimentos desnecessários e porque não os faço, até duques, barões, príncipes e soberanos dobram-se ao meu dinheiro que empresto a juros. Eles são os donos do mundo e, através do meu dinheiro, eu sou o dono deles. 

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