MEDITAÇÃO DE UM PROLETA – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

O despertador toca. Às oito pego no trabalho. E quem fez o despertador?

Levanto-me e tomo banho. Com sabonete. E quem fez o sabonete? Quem fez a toalha a que me limpo? Quem fez as torneiras? Quem fez os canos da água e quem os instalou? Quem fez e quem instalou as manilhas do esgoto? Quem fez a casa em que eu vivo?

Escovo os dentes e faço a barba. E quem fez a escova, o pincel, a máquina de barbear?

Visto-me. E quem fez e costurou a minha roupa? Quem a fiou e teceu? Quem fez as meias e as botas que eu calço?

Tomo o pequeno almoço. E quem fez a chávena e o pires? Quem foi buscar o leite aos agricultores,  quem o pasteurizou, quem o embalou? Quem o transportou? Quem produziu o café? Quem o torrou? Quem o trouxe de África para a minha casa? E o açúcar, e o pão? E a manteiga?

Apanho o metro. Quem abriu os túneis e construiu as estações? Quem fez as carruagens e a locomotiva? Quem construiu as represas que lhe dão a energia? Quem cuida das centrais elétricas?

Tantos homens fazem tantas coisas para mim e para outros como eu! Mas de nada são donos, nem das máquinas, nem dos produtos que produziram. Porque de nada são donos, nada me venderam, mas tudo eu comprei, tudo eles compraram. Nada tenho, nada temos. Ou por outra: eles, como eu, uma única temos para vender e para ganhar a vida ao vendê-la: oito horas de trabalho, dia a dia. Até quando? Até querermos que tudo seja de todos porque todos fazem tudo para todos…

In25 CONTOS DE ECONOMIA

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