DIÁRIO DE BORDO de 27 de Agosto de 2012

Diário de Bordo

O serviço público de televisão é de má qualidade. Uma programação organizada a reboque dos canais privados com tudo o que isso implica de concursos, telenovelas, reality shows e toda a espécie de lixo cultural. Colaboradores incompetentes, gente incapaz de fazer uma simples entrevista, serviços noticiosos que são «uma espécie de magazine», emitindo para todo o País minudências que nem interesse regional possuem, correspondentes no estrangeiro de qualidade lamentável (o caso de Rosa Veloso é paradigmático, mas não único). Com louváveis excepções – um ou outro grande profissional, um ou outro programa de boa qualidade. Pagamos, nós. os contribuintes, 140 milhões de euros por ano, por este péssimo serviço. A solução seria melhorar o serviço.

Mas agora, a RTP vai ser privatizada e, segundo tudo o indica, vai ser objecto de um negócio obscuro, de contornos mafiosos, em que, mais uma vez, nós os contribuintes, vamos pagar a quem queira assumir a responsabilidade pela rede pública. Um negócio feito para que aos bolsos de mais alguns (ou seja, dos do costume) afluam mais uns milhões.

Toda a gente condena – a esquerda, desde logo, de Louçã a Jerónimo de Sousa e a Arménio Carlos. A chamada oposição, lá disse qualquer insignificância pela inaudível voz de António José Seguro. Marcelo Rebelo de Sousa, no seu comentário semanal feito na TVI, afirmou que
o Governo deve garantir transparência no processo de privatização – “Espera-se que na administração dessa empresa” que venha a ficar com a concessão da RTP não estejam figuras do PSD.

Hoje, aniversário de Confúcio, que nasceu neste dia em 551 a.C., poderíamos escolher um dos seus muitos pensamentos e frases axiomáticas para rematar este editorial. Hegel também nasceu em 27 de Agosto (de 1770). Resistimos à tentação. Citar Confúcio ou Hegel para comentar os actos de idiotas corruptos, seria ofender a memória dos filósofos. O que esta gente faz nada tem a ver com a inteligência – apenas com a cupidez.

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