POESIA AO AMANHECER (22) – por Manuel Simões

Maria Teresa Horta – Portugal

( 1937 –   )

CLIMA

Neste clima de armas

submersas

de silêncios calados

bocas crespas

de já grandes coragens

e vontades

de já claridade

e já certeza

Neste clima espesso

grosso

enorme

ao tamanho dos olhos – temperatura

à exacta liberdade retomada

uma espécie de grito

e de sutura

Este clima ferida

cerco

incerto

a avolumar na pele cada

dia

este clima punho

Quente

Aberto

(de “Amor Habitado”)

Pertenceu ao movimento “Poesia 61” e é coautora, com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, de “Novas Cartas Portuguesas”. A partir dos anos 60 a sua escrita assume-se como representação da “voz feminista”. Da sua obra poética saliente-se: “Espelho inicial”” (1960), “Tatuagem” (1961), “Verão coincidente” (1962), “Amor Habitado” (1963), “Minha Senhora de Mim” (1971), “Educação sentimental” (1975), “Mulheres de Abril” (1977), “Poesia Completa 1 e 2” (1983).

 

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