Maria Teresa Horta – Portugal
( 1937 – )
CLIMA
Neste clima de armas
submersas
de silêncios calados
bocas crespas
de já grandes coragens
e vontades
de já claridade
e já certeza
Neste clima espesso
grosso
enorme
ao tamanho dos olhos – temperatura
à exacta liberdade retomada
uma espécie de grito
e de sutura
Este clima ferida
cerco
incerto
a avolumar na pele cada
dia
este clima punho
Quente
Aberto
(de “Amor Habitado”)
Pertenceu ao movimento “Poesia 61” e é coautora, com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, de “Novas Cartas Portuguesas”. A partir dos anos 60 a sua escrita assume-se como representação da “voz feminista”. Da sua obra poética saliente-se: “Espelho inicial”” (1960), “Tatuagem” (1961), “Verão coincidente” (1962), “Amor Habitado” (1963), “Minha Senhora de Mim” (1971), “Educação sentimental” (1975), “Mulheres de Abril” (1977), “Poesia Completa 1 e 2” (1983).

