POESIA AO AMANHECER (23) – por Manuel Simões

Fernando Assis Pacheco – Portugal

( 1937 – 1995 )

SONETO

Juntei-me um dia à flor da mocidade

partindo para Angola no Niassa

a defender eu já não sei se a raça

se as roças de café da cristandade

a minha geração tinha a idade

das grandes ilusões sempre fatais

que não chegam aos anos principais

por defeito da própria ingenuidade

a guerra era uma coisa mais a Norte

de onde ela voltaria havendo sorte

à mesma e ancestral tranquilidade

azar de uns quantos se pagaram porte

esses a que atirou a dura morte

diz-se que estão na terra da verdade

Lisboa, 28-IV-94

(de “Respiração Assistida”)

Foi jornalista, crítico, tradutor. A sua escrita é caracterizada por uma veia jocosa e satírica. Deixou marcas de grande cronista no “Diário de Lisboa”, na “República” e no “JL”. Obra poética: “Cuidar dos vivos” (1963), “Câu Kiên: Um Resumo” (1972) sob camuflagem vietnamita e que em 1976 conheceria a versão definitiva “Katalabanza, Kilolo e Volta”. Reuniu toda a poesia em “Musa Irregular” (1991). Saiu postumamente o volume “Respiração Assistida” (2003).

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