PIOLHO VERDE – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

Dou  comigo  feito  piolho verde,  a  marchar  pela…  O quê?  Ah,  já te digo: por causa das camisas verdes, eram assim chamados os rapazinhos da Mocidade Portuguesa, a salazarenta. Pois eu, feito piolho verde, a marchar pela Avenida, de braço estendido. E um escaravelho, não preto, mas verde, patriótico e matulão, pergunta:

– Quem vive?

E nós, em coro:

– Portugal, Portugal, Portugal!

E o escaravelho volta a perguntar:

– Quem manda?

E nós voltamos a responder:

– Salazar, Salazar, Salazar!

Sim, sim, tens razão, esta é a vida do Afonsinho que eu já fui. Mas também consigo ouvir, não me perguntes como, também consigo ouvir o Salazar a cantar o fado: sou pobre, filho de pobres. Depois ordena ao Silva Pais, diretor da PIDE, que nunca dê tréguas aos subversivos, que lote o Aljube e Caxias e Peniche e o Tarrafal e se desfaça, como possa, dos excedentes. Sai do gabinete e declara ao Microfone da Emissora Nacional:

– Somos um povo de brandos costumes. Para defender a Pátria, aqui não é preciso usar da violência. Um safanão a tempo é quanto basta.

 

In LIANOR


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