agenda cultural

por Rui Oliveira

 

 

   Inicia-se em breve a temporada cultural do Outono e, como admitíramos, vamos tentar dar-lhe cobertura jornalística mas com um formato diferente.

   A agenda semanal do Pentacórdio tinha a pretensão de fornecer ao leitor organizado a oportunidade de programar a sua semana “cultural”, embora se admitisse que dificilmente alguém no Domingo à noite optasse (até por escassez de bilhetes) p.ex. por um concerto na Segunda à tarde …

   Ora como o objectivo central e assumido do Pentacórdio é mostrar que, não obstante os muitos obstáculos e dificuldades conhecidos, há uma oferta cultural em Lisboa (e arredores, bem como certamente ela existe no restante país…) e o nosso incentivo é para que os leitores saiam do conforto “televisivo” das suas casas e gozem in loco as criações dos múltiplos programadores, encenadores e artistas que (quase) diariamente actuam no espaço público – para possibilitar esse desiderato faremos a experiência de organizar esta agenda de outra forma.

   Dia a dia divulgaremos aquilo que nos parecer merecer atenção (e presença !) daí a 48 horas (dois dias), intervalo mínimo para se programar uma ida, adequar a agenda própria e de conhecidos e adquirir ingresso para o evento escolhido. Veremos se este propósito surte o efeito desejado, o de estimular a fruição presencial em lugar do registo contemplativo dum aglomerado de eventos passivamente interessantes.

   Não deixaremos de incluir um ou outro vídeo exemplificativo das potencialidades culturais dos espectáculos, mas não como alternativa válida ! Nada substitui a assistência a uma peça, um concerto, uma exposição, um bailado ou mesmo um filme e, a nosso ver, hoje a parafernália informática (incluindo os blogues) abusa de forma perversa na reprodução de temas culturais de mérito “transformando-os”, truncando-os ou enfeitando-os com imagens frequentemente absurdas, numa profusão que chega a atordoar … e que acaba por afastar os espectadores do seu local próprio. Na nossa parca medida tentaremos contrariar vivamente esta tendência. Conseguiremos ?

   Assim já amanhã, Segunda 10, detalharemos a agenda de Quarta 11. Entretanto, para preencher o hiato destes dois dias próximos, daremos às 22h30 os pormenores apelativos desta Segunda e desta Terça para aqueles cujos apetites esta agenda despertou.

280 Comments

    1. Ao contrário de alguns portugueses, eu sou da opinião de que Espanha existe. Começou por ser uma utopia, mas cinco séculos depois é uma realidade. O projecto político foi-se consolidando, ajudado pelas artes que criaram um casticismo tipicamente «espanhol». Curiosamente, a meu ver, essa espanholidade deve muito à Andaluzia – o flamenco e essas coisas. A maldita tourada é outro dos elementos básicos. Mas é sobretudo o principal elemento parece-me ter sido o idioma, o castelhano, funcionando como língua franca, numa grande parte da Península e na América Latina, dando lugar a uma excelente literatura. Não conhecia a frase de Franco – «todo ha quedado atado y bien atado», mas é bastante significativa. Como nota marginal a toda esta questão, asinale-se o curioso que é o facto de muitos impérios serem sonhados por estrangeiros – Um corso ergue um império em França, um austríaco projecta um império alemão, um galego dá corpo a um império espanhol… Voltando a Espanha – existe, mas deve desatar as nacionalidades que não queiram permanecer atadas. Segundo me apercebo, bascos e catalães estão de saída. Os galegos não me parecem maioritariamente inclinados à independêcia. Um grande e saudoso amigo meu – Xosé Deiros, administrador-delegado de uma editora em que trabalhei, contou-me o cliché castelhano sobre os galegos – sí encuentras a un gallego en una escalera, no sabes nunca si sube o si baja», mais ou menos isto. Era bom que relativamente a esta questão, o povo galego decidisse se sobe até à autonomia total ou se desce até à submissão. Carlos, parece-me que se justifica um debate. Não te parece?

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