DIÁRIO DE BORDO de 10 de Setembro de 2012

Na apresentação do livro de Carlos Leça da Veiga, “Outro Caminho”, o Coronel Otelo Saraiva de Carvalho pôs em causa a validade filosófica daquela que é a derradeira defesa da democracia –  «A democracia é a pior forma de governo, exceptuando todas as outras que de vez em quando têm sido tentadas» (Democracy is the worst form of government, except from all those other forms that have been tried time to time). Wiston Churchill disse isto na Câmara dos Comuns numa intervenção feita em 11 de Novembro de 1947. Uma frase com graça que se transformou num argumento. Mas é uma falácia.

É uma falácia engenhosa, mas não deixa de ser uma falácia. Porque o que se põe em causa não é o conceito genérico de democracia – é esta forma de democracia representativa, parlamentar. Está por provar que possa ser considerada democrática. Um governo do povo que se deixa transformar numa oligarquia, não é um sistema que se possa considerar democrático. Os rótulos não são testemunhos credíveis dos conteúdos. A democracia representativa permite que um Barack Obama, que traiu todas as expectativas que nele eram depositadas, possa ser reeleito para um segundo mandato. Basta ver como banalidades ditas por. Michelle Obama na convenção democrata, foram entusiasticamente aplaudidas -: ‘Barack conhece o vosso esforço ‘ ou : ‘Obama conhece o sonho americano porque o viveu’.  Barack Obama está a provar algo que só os racistas não sabiam – um negro é tão inteligente, tão estúpido, tão sábio, tão ignorante, tão bondoso, tão pérfido, como um branco, ou um amarelo. Só os racistas não sabiam o que Ortega y Gasset afirmou sobre o homem e a sua circunstância (Yo soy yo y mi circunstancia y si no la salvo a ella no me salvo yo  (in Meditaciones del Quijote).

Aqui, basta ver como as infâmias sucessivas deste executivo constituído por corruptos e estúpidos, são acolhidas ou como as declarações pataratas do primeiro magistrado da Nação são aceites como moeda válida. A democracia representativa é um cavalo de Tróia. No seu bojo transporta o inimigo – aqueles que sob a designação de fascismo, democracia, ou de qualquer outra, acabam sempre por dominar. Mais do que a frase de Churchill, este sistema é definido por um velho aforismo português –  «Todo o burro come palha, a questão é saber dar-lha.». A palha que nos era enfiada brutalmente pelas goelas e que nos fazia vomitar, vamos agora comê-la mansamente às mesmas mãos. Fascismo, democracia – os oligarcas não são esquisitos, qualquer rótulo lhes serve.

Cada um com a sua circunstância..

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