DIÁRIO DE BORDO, 11 de Setembro de 2012

Conhecem a história da rã, de Olivier Clerc? Era uma vez uma rã que nadava tranquilamente em água fria, numa panela. Alguém acendeu um lume brando por debaixo da panela,  e a água foi aquecendo lentamente. A rã continuou a nadar, e foi-se adaptando à mudança. Continuou, e, a princípio sem dar por isso, foi enfraquecendo e nadando cada vez mais lentamente. Quando quis reagir, já não conseguiu, tentou adaptar-se  e acabou por morrer cozida. Se a água tivesse sido fervida com um lume forte, ter-se-ia sentido queimada e saltado fora.  Mas assim… Clerc, que é um filósofo suíço, diz-nos sobre isto:

Isto mostra que, quando uma mudança acontece lentamente, escapa à nossa consciência e não desperta, na maior parte dos casos, qualquer reacção, oposição ou, até, revolta.

Se olharmos para o que tem acontecido na nossa sociedade desde há algumas décadas, podemos ver que estamos a sofrer uma lenta mudança no nosso modo de viver, para a qual nos estamos a acostumar.

Uma quantidade de coisas que nos teriam feito horrorizar há 20, 30 ou 40 anos, foram pouco a pouco sendo banalizadas e, hoje, apenas incomodam ou deixam completamente indiferente a maior parte das pessoas.

Em nome do progresso, da ciência e do lucro, são efectuados ataques contínuos às liberdades individuais, à dignidade, à integridade da natureza, à beleza e à alegria de viver; efectuados lentamente, mas inexoravelmente, com a constante cumplicidade das vítimas, agora incapazes de se defenderem.

As previsões para o nosso futuro, em vez de despertarem reacções e medidas preventivas, apenas prepararam psicologicamente as pessoas a aceitarem algumas condições de vida decadentes, aliás, dramáticas.

O martelar contínuo de informações pelos mídia, satura os cérebros que acabam por não poderem distinguir as coisas…

Quando eu falei pela primeira vez destas coisas, era para um Amanhã. Agora, é para HOJE!!!

Consciência ou cozido… é preciso escolher!

O que se está a passar em Portugal tem muitas semelhanças com a história da rã. Estão a habituar-nos a sermos mais pobres e oprimidos. Contudo, talvez a água tenha sido aquecida demais, desta vez, na sexta-feira passada. Para nos fazerem saltar para fora da panela? Ou então para nos prepararem  para o começo de um novo filme.  De uma mudança para tudo continuar na mesma.  O Passos a substituído por um melhor que ele, vão nos dizer. Só para quem acredita em contos de fadas, claro.  Contados por Bagão Félix, Marcelo Rebelo de Sousa, etc. Para nos continuarem a cozer.

Diário de Bordo propõe: saímos da panela. Metemos o cozinheiro lá dentro. Não precisamos dele para nada.

Leave a Reply