Conhecem a história da rã, de Olivier Clerc? Era uma vez uma rã que nadava tranquilamente em água fria, numa panela. Alguém acendeu um lume brando por debaixo da panela, e a água foi aquecendo lentamente. A rã continuou a nadar, e foi-se adaptando à mudança. Continuou, e, a princípio sem dar por isso, foi enfraquecendo e nadando cada vez mais lentamente. Quando quis reagir, já não conseguiu, tentou adaptar-se e acabou por morrer cozida. Se a água tivesse sido fervida com um lume forte, ter-se-ia sentido queimada e saltado fora. Mas assim… Clerc, que é um filósofo suíço, diz-nos sobre isto:
Isto mostra que, quando uma mudança acontece lentamente, escapa à nossa consciência e não desperta, na maior parte dos casos, qualquer reacção, oposição ou, até, revolta.
Se olharmos para o que tem acontecido na nossa sociedade desde há algumas décadas, podemos ver que estamos a sofrer uma lenta mudança no nosso modo de viver, para a qual nos estamos a acostumar.
Uma quantidade de coisas que nos teriam feito horrorizar há 20, 30 ou 40 anos, foram pouco a pouco sendo banalizadas e, hoje, apenas incomodam ou deixam completamente indiferente a maior parte das pessoas.
Em nome do progresso, da ciência e do lucro, são efectuados ataques contínuos às liberdades individuais, à dignidade, à integridade da natureza, à beleza e à alegria de viver; efectuados lentamente, mas inexoravelmente, com a constante cumplicidade das vítimas, agora incapazes de se defenderem.
As previsões para o nosso futuro, em vez de despertarem reacções e medidas preventivas, apenas prepararam psicologicamente as pessoas a aceitarem algumas condições de vida decadentes, aliás, dramáticas.
O martelar contínuo de informações pelos mídia, satura os cérebros que acabam por não poderem distinguir as coisas…
Quando eu falei pela primeira vez destas coisas, era para um Amanhã. Agora, é para HOJE!!!
Consciência ou cozido… é preciso escolher!
O que se está a passar em Portugal tem muitas semelhanças com a história da rã. Estão a habituar-nos a sermos mais pobres e oprimidos. Contudo, talvez a água tenha sido aquecida demais, desta vez, na sexta-feira passada. Para nos fazerem saltar para fora da panela? Ou então para nos prepararem para o começo de um novo filme. De uma mudança para tudo continuar na mesma. O Passos a substituído por um melhor que ele, vão nos dizer. Só para quem acredita em contos de fadas, claro. Contados por Bagão Félix, Marcelo Rebelo de Sousa, etc. Para nos continuarem a cozer.
Diário de Bordo propõe: saímos da panela. Metemos o cozinheiro lá dentro. Não precisamos dele para nada.

