EM VIAGEM PELA TURQUIA – 2 – por António Gomes Marques

(Continuação)

«As lendas gregas relativas ao retorno dos Heráclidas, ou seja, os Dórios conduzidos pelos filhos de Heraclés, são confirmadas pelo registo arqueológico e linguístico entre os séculos XII e X a. C., provenientes da região do Danúbio. Tendo arrastado consigo os Ilírios, dos quais uma facção passou para a Itália, e detidos a Oriente pelos Traco-Frígios, eles próprios em movimento, os Dórios descem para sul. Uns seguiram uma rota ocidental, através do Epiro (Dodona) e da Acarnânia, atravessando pelo mar o Golfo de Corinto, em Naupata, instalando-se no Peloponeso, até Olímpia, onde, como em Dodona, reina o seu grande rei Zeus. Um outro grupo desloca-se para oriente, atravessando a Tessália, subdividindo-se uns pela Beócia, chegando ao Golfo de Corinto, outros pelo Euripo, seguindo a costa e desembarcando na Argólida, submergindo a região de Corinto e Mégara, pelo Eurotas, na direcção de Esparta. Nestas complexas rotas, os dórios arrastam consigo muitos povos, misturando-se antes de estabelecerem uma base fixa, o que torna suspeita a sua pretensão de criar uma pureza racial, dificultando, de igual modo, o estudo das suas contribuições. Neste panorama, duas regiões mantêm-se à margem das perturbações, a Acádia, no centro do Peloponeso, e a Ática. Os centros micénicos são substituídos por outros, vizinhos, como Amicléia por Esparta, Micenas e Tirinta por Argos e Orcomeno por Tebas.

A chegada destas novas populações desencadeou, ou acelerou, a dispersão de uma parte dos aqueus, distinguindo neste ponto a tradição grega em várias correntes: os filhos de Orestes, descendentes de Agamenon, ganharam através do Egeu e recrutando homens na Beócia e na Tessália, a costa Norte da Ásia Menor, posteriormente denominada Eólida. Um pouco mais tarde, os descendentes do rei de Atenas, Codro, partiram por sua vez para a Ásia Menor, levando consigo os jónios de diversos grupos, da Acaia e da Ática. A migração jónica orientou-se sobretudo para a Eubéia, com Cálcis e Eritras, as Cíclades, Paros, Naxos, Delos – que foi seu centro religioso (Apolo) – e enfim, para a região central da costa da Ásia Menor, mais tarde Jónia, onde se fundaram as doze cidades da confederação jónica (unidas no cabo Nícale pelas festas de Poseidon) ou Panjónia: Mileto, Priene, Éfeso, Cólofon, Focéia, Samos, Quios e, posteriormente, Esmirna, retomada aos eólios, foram as principais. Finalmente, os próprios dórios seguiram o movimento, ocuparam Melos, Tera e Rodes, Creta (Gortina) e depois, na costa Sul da Ásia Menor, Cós, Cnido, Halicarnasso, onde a resistência dos Cários foi acentuada.

Estas tradições são com frequência discutidas, mas o testemunho linguístico é formal, atestando-se três dialectos diferentes na Ásia Menor: o eólio, o jónico e o dórico. Sendo assim, estamos perante uma primeira colonização grega, de carácter sobretudo agrícola, efectuada por mar, e cujas cidades são independentes das suas metrópoles continentais.

O conhecimento que dispomos destes momentos históricos é bastante diminuto. Até aos séculos IX a VIII a. C., os aspectos civilizacionais permaneceram a um nível relativamente embrionário. Somente o reinício dos contactos comerciais no Mediterrâneo Oriental vão iniciar um renascimento baseado na Jónia.»

Consulte-se Mundo Grego das Trevas. In Infopédia, Porto Editora, 2003-2010. http://www.infopedia.pt

Cerca do ano 600 a.n.e., os Lídios terão conquistado a cidade, transformando Esmirna numa aldeia da Lídia, vindo depois a ser dominada pelos Persas. Mais tarde, já no reinado de Alexandre o Grande, é construída uma nova cidade nas encostas do Monte Pagos (Kadifekale).

Antes do século I a.n.e., inicia-se o domínio romano, bem visível na arqueologia da região.

Com uma simples busca na «internet», ficamos também a saber que Esmirna ficou conhecida como uma das «Sete Igrejas da Ásia», sendo uma das igrejas a que o apóstolo João enviou o «Livro da Revelação (Apocalipse)». No século IV da nossa era chega o domínio bizantino, o qual vai durar até à conquista seljúcida no século XI.

Veja-se em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Seven_churches_of_asia.svg:

As Sete Congregações de Revelação, também conhecidas como as Sete Congregações da Ásia Menor, são as Congregações das cidades mais importantes desta região no início do cristianismo, mencionadas no livro do Apocalipse, no Novo Testamento. Atualmente, todas as ruínas destas antigas cidades encontram-se na Turquia. Na Revelação, Jesus Cristo instrui o apóstolo João da seguinte forma:

«…O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia.» (Apocalipse 1:11)[1]

Podemos entender o termo “Congregações”, neste contexto, como as comunidades cristãs que viviam nestas cidades e não necessariamente Congregações no sentido de templos, prédios ou construções, as quais foram construídas posteriormente para serem locais de reunião e culto.

Existem algumas interpretações que sugerem que essas 7 igrejas representem, num sentido mais amplo, os povos cristãos dos 7 continentes políticos da atualidade, ou ainda, que representem as 7 principais vertentes das denominações cristãs que estão difundidas hoje, as quais Deus descreve as obras de cada “igreja” por intermédio dos seus “anjos” divulgadores do evangelho ao longo dos tempos, reforçando assim o caráter global da mensagem e a sua inserção no contexto da era moderna.

Referências

[1) Segundo a Tradução Brasileira da Bíblia

Ver também

Apocalipse de São João

Igreja primitiva

(Continua)

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