Sem esquecer, naturalmente, as questões relacionadas com a realidade portuguesa, somos um blogue voltado para a divulgação dos valores da lusofonia e, ao mesmo tempo, para a defesa das causas independentistas das nações ibéricas, ocupadas e aculturadas pela língua e pela cultura castelhanas mercê da política centralizadora seguida desde há séculos pelos governos de Madrid. E nada temos contra a cultura e a língua castelhanas – é uma cultura esplendorosa e uma língua muito bela.
A questão que coloco é – hispanidade e independência, serão dois conceitos antinómicos? Ou seja, a circunstância geográfica da hispanidade implica obedecer a uma força centrípeta relativamente a Madrid? Respondo já – obviamente que não. Aliás, Madrid é que foi criada em função da utopia, e para dar corpo a essa utopia. Pequena vila, próxima do centro geodésico da Península (que se situa em Getafe, a 14 quilómetros a sul) foi, a partir do século XVI engrandecida de modo a acolher a Corte e o coração de um império onde o sol nunca se punha..
Somos todos Hispanos, é o título de um ensaio de Natália Correia. Disso não há dúvidas – somos todos hispanos. O médico português Pedro Julião, nascido em Lisboa, aquele que viria a ser o papa João XXI, era conhecido por Pedro Hispano – com a nacionalidade proclamada há mais de um século, muito antes de os reis católicos unirem as suas coroas, os habitantes da Península eram assim designados – hispanos – somo-lo todos.
Porém , cada nação peninsular vive a hispanidade de forma diferente. Há uma raiz comum, pois a ocupação romana deixou marcas. A partir daí o substrato, as matrizes pré-românicas reapareceram e houve uma deriva que conferiu a cada nacionalidade características próprias. As fronteiras de Portugal foram imaginadas, conquistadas, defendidas… Portugal também foi uma utopia que se transformou em realidade. Numa realidade, por vezes, distópica, diga-se. Mas, umas vezes sonho, outras pesadelo, Portugal existe. E a Espanha, existe?
Os catalães, os bascos, os navarros, os galegos, aceitaram a centralização, não a vendo como uma perda absoluta da sua independência. Até 1812, Madrid foi impondo a sua hegemonia sem a formalizar. Nas cortes de Cádis, que em Março passado celebraram o segundo centenário, nasceu Espanha – só então o sonho que três séculos antes uma castelhana e um catalão sonharam, se tomou corpo jurídico.
Em Portugal o sofisma da indepenência não funcionou. Felipe II era o legítimo herdeiro do trono de Portugal, neto de D. Manuel. Com sua mãe, Isabel de Portugal, aprendera o português e falava-o sem acento. «É castelhano – não serve» foi o veredicto popular. E durante 60 anos em que não perdemos formalmente a independência, sentimos que nos tinham usurpado a pátria – tínhamos razão. Pouco antes de começarem as alterações de Évora, em 1637- Olivares projectava suprimir as independências dos reinos satélites de Castela.
De modo algum estou a querer provar que somos mais valentes ou mais inteligentes. Provavelmente, considerados globalmente, até somos dos mais rústicos entre os hispanos. Mas a nossa hispanidade é vivida de frente para o mar e de costas para Madrid. Ganhamos pior, vivemos pior, e somos tão roubados e enganados como se fôssemos espanhóis ou mais ainda – Mas somos roubados e enganados por filhos de puta e não por hijos de puta.
Parecendo que não, faz alguma diferença.

“Bem falado”! (é genuína e sincera expressão popular galega quando alguém diz as verdades; tb dizemos “falache!” [=falaste!], em chave mais familiar); e obrigado; só acrescento que para nós, galegos, Portugal (com todos os desencontros, que tb os temos, sobretudo com as elites) é a prova palpável de que é possível vivermos independentes, sendo nós, e com a nossa língua, e tb sem odiar ninguém: só que nos deixem em paz, caralho!
aperta!
Carlos
É isso mesmo, Carlos. Fiquem lá com a grandeza do seu império perdido e deixem-nos com a nossa pequenez. Mas o pior, nem são os espanhóis que têm mais do que preocupar-se connosco. O pior, são os portugueses que gostavam de ser anexados – com o presidente do Banco Espírito Santo que, segundo diz, teria nas áreas metropolitanas de Madrid e Barcelona, áreas de expansão para o seu banco. O Saramago também teve o seu pior momento quando disse que Portugal deveria ser integrado como região autónoma, tal como Castilla – La Mancha. Também há as pobres de espírito, as leitoras da Hola, que gostavam de ter uma família real, «porque é mais bonito do que ter um PR». São uma minoria insignificante. À maioria dos portugueses a questão nem ocorre, por absurda. Portugal existe – distópico, com um governo de estúpidos e de crápulas, mas existe. E Espanha? Existe? Vamos colocar essa questão num debate e conto com o teu depoimento. Um abraço.
Com efeito, “Castilla, madre de espaÑa”, é feitura dos Áustrias-bourbónicos e dos Bourbons-austíacos, dinastias estrangeiras à Castela, tão estrangeiras quanto as frustradas Bonaparte (José I, 1808-1814) e Saboia (1872-1874). Essa feitura ou fritura usurpou a Hispanidade, roubou-a aos povos hispanos: Portugaliza, Paísos Catalans e mesmo à própria Castela, que ficou utilizada e desvirtuada até hoje. Mas hoje a “reinstauração” franco-bourbónica, ditatorial, chegou a cúmulos apavorantes: já sem vergonha nenhuma, “del rey abajo” todos os desgovernantes, insistem que o único exercício “democrático” consiste em obedecer as pautas da ditadura franquista e as “novas” do IV Reich (economicista-militar)… Enfim!
A dinastia Saboia teve um só representante, Amadeu I. Deixo sem corrigir alguma gralha, porque penso que o meu comentário é suficientemente inteligível e sem dúvida criticável, como (espero) será. E agradeço.
Mais do que usurpar a hispanidade, desvirtuou-a. Transformou em «destino imperial» o que era simples circunstância geográfica e similitude cultural. Os Áustrias mataram o convívio entre os povos peninsulares, hierarquizando o que deviam ser relações fraternas entre gentes irmãs. Mas essa política agressiva, consolidou entre os portugueses um sentimento de diferença que nos tem permitido manter a independência. Independência que, nos nossos dias, está ameaçada, mas já não por Madrid. Madrid tem agora o problema catalão para resolver. «Castilla, madre de España» é uma falácia – em Portugal, para a maioria dos portugueses, excluindo os traidores e as estúpidas que lêem a Hola, essa moeda não circula.
Una reflexió excel·lent. Seguint-ne el fil, hi faig un afegit. Crec que, en realitat, més que un problema, Catalunya és per a Espanya una molèstia, un incordi permanent, fins i tot una preocupació, però no pas un problema. Els problemes s’analitzen racionalment, se’n consideren les incògnites i, amb les dades conegudes damunt la taula, se’n cerca solució… Espanya no ha pensat mai que calgués una solució per a Catalunya i, per tant, mai no ha vist Catalunya com a problema. Amb Catalunya ha fet allò que es fa amb una “mosca cojonera”: estabornir-la amb un cop fulminant -sense matar-la, però, no fos cas que perdessin bous i esquelles-, i per a aquesta finalitat tant han valgut les bombes com els càstigs com els decrets de prhibició. En canvi, el que sí que existeix realment a l’Estat espanyol és el “problema d’Espanya”. La història, per les raons que tan bé es relacionen en aquest article i per algunes altres, ha construït una “idea” d’Espanya grandiloqüent, desmesurada i irreal, i el nacionalisme espanyol n’ha fet motiu d’orgull i bandera. Mai Espanya, en cap moment de la seva història, no s’ha construït a peu de realitat, i sempre hi han fracassat els intents d’identificar-se plenament amb la diversitat, amb el respecte, amb la pluralitat i amb la democràcia, perquè la “imatge” d’Espanya és feta dels valors contraris: l’homogeneïtat, la imposició, l’unitarisme i l’esperit aristocràtic. Aquest imaginari, aquesta “Espanya” imaginària és el problema històric i actual de l’Estat espanyol. I aquells que estan disposats a defensar-la a “capa y espada” i llançant anatemes contra tothom que en denunciï la inconsitència i insinuï la possiblitat d’altres vies, aquells que s’erigeixen sempre en adalids o croats en la defensa de l’Espanya “ideal”, són els més contumaços enemics de la possibilitat d’existència d’un projecte espanyol plural, respectuós, democràtic, harmònic i engrescador. Per això, el fet que Catalunya aconseguís -i tant de bo sigui així- de fer un camí propi i independent integrant-se amb personalitat pròpia en el conjunt dels estats europeus, el “problema d’Espanya” continuaria irresolt. I continuarà així fins que no se superi la ceguesa endèmica del nacionalisme espanyol que ha hipotecat, des de l’origen el projecte d’Espanya i l’ha fet impossible. Ells són els qui han fet, i fan impossible que fins i tot aquells territoris que volen sentir-se integrats en el projecte espanyol no hi trobin cap més camí de pertinença que la identificació incondicional amb uns valors anacrònics, periclitats, inconsistents i excloents.
Já o “reconheceu” o defunto Peces Barba, “padre de la constitución de 1978” e valhisoletano como eu: “O conde-duque de Olivares errou; deveu deixar os catalães se irem embora e conservar Portugal. Hoje não haveria os problemas que “espaÑa” tem…” *** Percepção digna de um “bom” “padre de la patria española constitucional”.
Pois foi. E disse também que, o único inconveniente dessa opção, seria que os jogos do Real com o Sporting de Lisboa não seriam tão emocionantes quanto os do Real com o Barcelona. Esse senhor, deve perceber mais do futebol, do que de História. Os portugueses, de uma forma geral menos polidos que os catalães, poderiam transformar-se num quebra-cabeças para os senhores de Madrid. Além disso, Olivares não nos deixou sair – nós saímos à bruta – houve uma guerra de 28 anos. Ganhámos.
Això dels partits Barça-Madrid s’ha convertit en un tòpic en els debats sobre la independència. Recentment preguntava una entrevistadora a Joan Tardà, un polític d’Esquerra Republicana i abrandat seguidor del Barça:
-I no encontrará usted a faltar los partidos Barça-Madrid?
-Pero ¿qué me está diciendo, usted? ¿Que el Madrid no estará en la Champions? -fou la resposta del polític.