O ISCO DA TSU – por Octopus

Perplexo, o povo português defrontou-se com uma medida demasiado grosseira   para ser verdade: iriam tirar aos trabalhadores o seus rendimentos para   entregar directamente o dinheiro do seu trabalho ao patronato.

Todos estavam contra essas medidas, desde a oposição, o que é normal, até aos   próprios membros do PSD. Tinha-mos unanimidade. Com uma medida desta, era   normal, quando nos vão ao bolso é normal tal reacção básica, ainda para mais   essas medidas nem sequer estavam prevista no memorando da Troika, toda gente   estava mais contra.

Reunião do Conselho de Estado, e depois volta tudo atrás, essas “medidas   não são bem assim, vão ser alteradas, mas são necessárias novas medidas para   colmatar essa perda de receitas”.

Tudo não passa de um embuste, uma manobra de diversão, as privatizações de   sectores fundamentais da nossa economia passam então como necessárias, entre   muitas outras medidas, como as mexidas no IRS que irá afectar os que não   podem escapar ao fisco, ou seja, o rendimento do trabalho. As novas mediadas   que vêem aí serão mais gravosas do que as actuais decorrentes das alterações   da TSU, mas disfarçadas de medidas necessárias, que a maioria das pessoas não   irá perceber.

As manifestações populares promovidas pela “sociedade civil” foram   curiosamente difundida por todos os meios de comunicação social, falava-se em   90 mil pessoas convocadas, mas após a divulgação mediática, chegaram aos 500   mil, só em Lisboa, muito à custa dessa mesma comunicação social que tudo fez,   curiosamente ou não, para as promover. Tiveram direito a toda a divulgação   durante horas. Chega-se a pensar que foram promovidas por essa mesma   comunicação social, nas mãos dos grandes grupos económicos. Até tiveram   direito à cobertura de helicópteros, quanto o mesmo não acontece com greves   ou manifestações promovidas por organizações sindicais.

Depois vêem-nos dizer que o recuo das medidas sobre a TSU foi uma vitória do   descontentamento, da vontade popular, quando na realidade essas medidas, que   todos sabíamos injustas  (propositadamente demasiado grotescas) tinham   esse objectivo: fazer crer que foi uma derrota popular, fazer crer que o   “povo” tem uma palavra dizer, que é dono das decisões tomadas. Nada   mais falso, estas medidas “injustas” foram construídas para dar   lugar a outras menos mediáticas, que essas sim irão afectar a vida de todos   os portugueses sem que esses se apercebam e por consequência, se manifestem.

Estas medidas absurdas da TSU, com  que ninguém concorda, não passam de medidas   que se sabia iriam ser “chumbadas” à partida, para dar lugar a   medidas que serão aceites por todos como necessárias, essas sim sem   descontentamento, equivalentes ou superiores à famosa TSU, mais gravosas do   que esta teatralidade, mas sempre a favor do capital.

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