23 DE SETEMBRO DE 2012, DOMINGO
E a TSU foi travada!
Quase nos bastidores deste mês de Setembro, houve uma breve referencia à suposta tensão entre movimentos inorgânicos e organizados. Alguns que se assumem como orgânicos afirmaram que só a luta organizada tem condições para modelar a evolução política, objectivamente tentando desmobilizar e desinvestir nas grandes manifestações populares. Esses pontos de vista não impediram que, na realidade, as manifestações não só fossem enormes, mas que lá estivessem tanto inorgânicos como orgânicos. A questão portanto que se põe não é a de opôr uns aos outros, mas sim a de saber como vão os orgânicos captar e ganhar a confiança dos inorgânicos. Na luta orgânica, se quisermos ceder a esse tipo de léxico, também faz nestes dias a sua poderosa afirmação, como é o caso da valorosa greve da GALP, a qual, pela magnitude que atingiu mostra como se conseguiu atrair muitos dos ditos inorgânicos para a luta também E todos esperamos que a grande manifestação da CGTP, agendada para 29 de Setembro em Lisboa, consiga igualmente mobilizar em massa os ditos inorgânicos, que afinal não são mais do que gente que está agora a despertar para a acção política e a fazer a sua própria aprendizagem do que é necessário fazer em termos de organização.
Se o movimento popular em Setembro, ainda não desembocou em real mudança de políticas, não deixou no entanto de exercer uma enorme pressão para que o processo político acelere. Ora, não se compreende como poderá um governo tão fragilizado continuar por muito mais tempo e, portanto, o suspiro de alívio do Presidente da República não será em princípio, mais do que isso mesmo, um mero suspiro. Quer isto dizer que o movimento popular vai continuar a ditar a evolução política e não haverá remédio senão aparecer uma nova solução. É só olhar para os próximos episódios à volta do Orçamento Geral de Estado.
Sem dúvida que as instituições e os partidos à esquerda terão de actualizar a sua análise face ao que a rua vai ditar, assim o desejamos.

