QUANDO A SITUAÇÃO SE INVERTE – FILHOS QUE AGRIDEM OS PAIS por clara castilho

A APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima  distribuiu um documento sobre e  “Violência doméstica: filhos que agridem os pais (2004-2011)”. Inicialmente as pessoas que recorriam a esta associação eram as mulheres vítimas de seus maridos/companheiros. Mais tarde começaram a aparecer casos em que as vítimas eram os homens, e agora chegaram os pais como vítimas.

Entre 2004 e 2011 a APAV registou um total de 3 380 processos de apoio, de pais vítimas de crimes de violência doméstica por parte dos seus filhos. Estes processos traduziram-se num total de 7 805 factos criminosos, realizados em ambiente doméstico.

O número de vítimas do sexo feminino foi sempre, claramente, superior ao número de vítimas do sexo masculino. Já no que diz respeito ao sexo dos filhos agressores, eles são maioritariamente do sexo masculino.

No que diz respeito às idades, em cerca de 40% das situações (para cada um dos anos observados) as vítimas situavam-se, maioritariamente, a partir dos 65 anos de idade.

Tendo em conta as idades dos filhos agressores, estes situavam-se maioritariamente entre os 18 e os 35 anos de idade (33,8%).

 

No que diz respeito aos crimes perpetrados por filhos contra os seus pais, são os maus tratos físicos e psíquicos que registam a maior percentagem assinalada. Com uma percentagem ainda significativa, surge em seguida o crime de ameaças/coação.

A brochura não nos aponta se foi analisada a relação anterior existente entre estes pais e estes filhos. Seria interessante este estudo.

Não posso deixar de pensar que estes filhos terão sido, eles próprios, crianças vítimas de violência. Pela sua atitude podemos ver que:

– aprenderam que a violência é uma forma de solução de problemas,

– aprenderam que a não planificar racionalmente os problemas,

– não sentiram que o afecto é a base da relação ,

– não sentiram empatia para com eles e, logo, não a sabem utilizar com os outros.

 Mais uma vez se vê: tudo começa na infância!

1 Comment

Leave a Reply