Manual do perfeito “bankster”, lição 3: facilitar a evasão fiscal – II
Novos casos judiciais contra o banco UBS
A justiça americana “abre o frigorífico” dos clientes ricos da UBS
Marc-Henri Jobin.
Os herdeiros do antigo vice-presidente de Fidelity recuperaram milhões de dólares não-declarados e colocados no banco UBS. A justiça americana acaba de prender um advogado londrino e está também interessada num intermediário suíço.
Ao fundo, a entrada na sede de UBS em Nova Iorque , que é o banco da família Seggerman. Image: Keystone
Cronologia do conflito fiscal com os Estados Unidos
Os Estados Unidos estão a exigir os nomes e os dados dos clientes nos EUA que esconderam os seus rendimentos ao fisco. As investigações colocam em dificuldade o sigilo bancário suíço.
Um novo caso de fraude fiscal vem abalar o banco UBS. Este caso é tanto mais acompanhado no outro lado do Atlântico quanto com este caso se apanha na sua rede uma família de Nova York e da alta sociedade americana. E as autoridades americanas podem-se apoiar sobre a confissão de um dos seus membros .
Filha e herdeira do antigo vice-presidente do grupo Fidelit, especializada em fundos de investimento, Suzanne Seggerman poderá contar com a clemência do poder fiscal e judicial americano. Ela declarou-se culpada em 2010 e tem dado provas de ser uma testemunha “muito colaborante”, de acordo com os agentes do fisco americano (IRS).
Mensagens codificadas
Sem ela, ter-nos-ia sido muito difícil descobrir o que a família de Harry Seggerman escondia “no seu congelador”. Com a morte deste último, em Agosto de 2001, com a idade de 73 anos , a família Seggerman encontrou-se sozinha à frente de uma herança de 20 milhões de dólares.
O problema no entanto é que metade desse montante não foi declarado e foi colocado no exterior, em contas na UBS, que é também o banco familiar. Os herdeiros passaram a querer repatriar estes fundos lentamente, em quantidades de 10.000 dólares, utilizando muitas precauções.
Assim, o filho mais velho estabeleceu uma lista de nomes de código para usar na troca de emails sobre o assunto, especialmente com os intermediários, dois advogados estabelecidos em Londres e na Suíça e um contabilista estabelecido em Nova Jersey.
Quando há “bife no frigo”, é porque o dinheiro tinha chegado à conta. A fundação familiar foi chamada de “prego enferrujado”. E o advogado da Suíça chama-se só ‘Moxly’, informou na segunda-feira o correspondente nos Estados Unidos de Tages-Anzeiger.
Advogado londrino preso
O dinheiro, que por vezes se transformava em traveller’s cheques, transitava por “Moxly”, cuja identidade não tenha sido divulgada e por um advogado em Londres. Este último, Michael Litle, de 61 anos, foi preso no final da semana passada.
O advogado britânico ainda está detido. Só poderá sair da prisão contra o pagamento de fiança de 2 milhões de dólares.
De acordo com as autoridades americanas , parece que as transferências de fundos não declaradas continuaram até ao ano passado. Pelo seu trabalho, os advogados intermediários teriam recebido da família Seggerman várias dezenas de milhares de dólares em comissões, por ano.
Como exemplo e como dissuasão
Sobre cerca de trinta denúncias feitas contra clientes do banco UBS e tornadas públicas até agora, esta é a primeira que afecta uma família americana de grande nome na sociedade americana. É também a primeira vez que as autoridades americanas alargaram o seu procedimento judicial aos intermediários.
O Procurador de Nova Iorque, citado pelo correspondente de Tagi, salienta a vontade de fazer deste caso um exemplo de dissuasão para todos os envolvidos em esquemas de evasão fiscal. Na opinião de Preet Bharara, o advogado londrino Michael Little não violou apenas a lei. “Também ultrapassou os fundamentos éticos e morais da sua profissão. Ele corre o risco de apanhar até cinco anos de prisão.
