A utilização da Internet, é uma prática directamente relacionada com os níveis de literacia de cada utilizador: decresce à medida que a idade aumenta e a escolaridade diminui (90,6% dos inquiridos entre os 15 e os 24 anos utilizam a Internet, contra 5,0% dos que têm 65 ou mais anos; 97,5% dos inquiridos com instrução primária incompleta não utilizam a Internet, enquanto que 96,9% dos universitários / pós-graduados / doutorados utilizam este meio de comunicação).
Podemos consultar estes dados na primeira edição da série “Sociedade em Rede. A Internet em Portugal 2012”, depois da realização do Inquérito Sociedade em Rede 2011, cuja informação reporta ao mês de Dezembro de 2011, sendo uma realização “OberCom”(1) na exploração daquilo que é a relação dos portugueses com a Internet.
Mas pode-se ver que o acesso à Internet em Portugal continua a crescer nos agregados domésticos (dos 51,2% em 2010 para os 57,0% em 2011), sendo a banda larga, enquanto forma de acesso, o principal motor deste processo (por cabo, 38,6% dos inquiridos e ADSL, com 29,7%) com a fibra óptica com uma estrutura (ainda) com penetração residual (7,7% dos inquiridos).
Só a banda larga móvel (USB) atinge percentagens significativas (25,4% dos inquiridos). Banda larga em tablet e smartphone são tipos de acesso percentualmente residuais em Portugal . Consideram os autores que o preço deste tipo de hardware, bem como os custos do acesso justificarão, pelo menos parcialmente, estes valores reduzidos, mas que as literacias para os media ao nível do uso destes equipamentos poderão justificar, também, estes valores, na medida em que são necessários conhecimentos diferentes e potencialmente mais complexos para lidar com os novos aparelhos e formas de acesso.
Os portugueses obedecem, nas suas posses de equipamentos, a uma lógica conservadora, seguindo uma cronologia histórica de adopção: 99,0% dos inquiridos possuem televisão, 88,5% possuem telemóvel, 72,7% um rádio (equipamento isolado) e 61,3% possuem telefone fixo. A Internet (em modo de acesso fixo, doméstico, surge em quinto lugar com 57,2%).
Em relação ao uso da Internet, verifica-se que ela é, sobretudo, um meio de consulta de informação, mais do que um instrumento operativo. Os portugueses utilizam a Internet para procurar informação sobre produtos e para ler críticas sobre bens, que os ajudem na escolha, mas não preferem a Internet para adquirir os produtos sobre os quais procuram informação.
São, também, adeptos das redes sociais, sobretudo do Facebook (97,3% dos que utilizam redes sociais têm perfil criado nesta rede), e dos programas de Instant Messaging, software fulcral para a sua relação com os familiares e, sobretudo, com os amigos .
Os autores concluem que o efeito da Internet na alteração das práticas mediáticas dos portugueses se sente, quer na criação de novos espaços mediáticos, quer na invasão de espaços ocupados pelos media tradicionais, cuja adaptação a este novo ecossistema mediático é, cada vez mais, imperativo para a sobrevivência destes meios de comunicação.
(Ficha Técnica: Sociedade em Rede. A Internet em Portugal 2012 ; Investigação Miguel Paisana e Tiago Lima; Coordenação Científica Gustavo Cardoso, Rita Espanha; Questionário A Sociedade em Rede 2011)
(1) O Observatório da Comunicação (OberCom) é uma associação sem fins lucrativos, tem investigado as redes sociais e a transformação nos jornais, televisão, rádio e das práticas jornalísticas.. Pretende oferecer aos seus associados novas formas de compreender mercados e audiências.


