POESIA AO AMANHECER – 51 – por Manuel Simões

Alberto Pimenta – Portugal

( 1937 –   )

PLANTA RUBRA (fragmento)

nada ficará

da beleza

da alegria do medo

que treme

nos teus dedos

nas minhas folhas

só as convulsões

do deus que sempre espreita

o deus

assustador

para quem

o não traz em si

como tu profano

mas também

já para mim

é

um deus

que assusta

planta rubra

as minhas mãos

vão

ao encontro

do teu corpo

a nossa cabeça

está repleta

de mapas do mundo

que é que

nesta conjunção

faz sofrer tanto

(de “Planta Rubra”)

Poesia de carácter experimental e irreverente. Estreou-se com “O labirintodonte” (1970), publicando logo a seguir “Os Entes e os Contraentes” (1971). De 1977 é o livro “Ascensão de dez gostos à boca”, ano em que realizou um histórico happening no Jardim Zoológico de Lisboa. Outros títulos: “In modo di-verso” (1983), “Tomai, isto é o meu porco” (1992), “Santa copla carnal” (1993), “Indulgência Plenária” (2007), “Planta Rubra” (2007), “Tanto Fogo e Tanto Frio. O Último Sonho de Olímpio” (2008). É bastante conhecida a obra “Discurso sobre o filho-da-puta” (1977).

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