Alberto Pimenta – Portugal
( 1937 – )
PLANTA RUBRA (fragmento)
nada ficará
da beleza
da alegria do medo
que treme
nos teus dedos
nas minhas folhas
só as convulsões
do deus que sempre espreita
o deus
assustador
para quem
o não traz em si
como tu profano
mas também
já para mim
é
um deus
que assusta
planta rubra
as minhas mãos
vão
ao encontro
do teu corpo
a nossa cabeça
está repleta
de mapas do mundo
que é que
nesta conjunção
faz sofrer tanto
(de “Planta Rubra”)
Poesia de carácter experimental e irreverente. Estreou-se com “O labirintodonte” (1970), publicando logo a seguir “Os Entes e os Contraentes” (1971). De 1977 é o livro “Ascensão de dez gostos à boca”, ano em que realizou um histórico happening no Jardim Zoológico de Lisboa. Outros títulos: “In modo di-verso” (1983), “Tomai, isto é o meu porco” (1992), “Santa copla carnal” (1993), “Indulgência Plenária” (2007), “Planta Rubra” (2007), “Tanto Fogo e Tanto Frio. O Último Sonho de Olímpio” (2008). É bastante conhecida a obra “Discurso sobre o filho-da-puta” (1977).

