António Salvado – Portugal
( 1936 – )
FRUTO
Dentro de ramos ‘spreita um fruto túmido
que hei-de colher quando maior a sede
me gretar quase os lábios do prazer
que sentirei e por trincá-lo puro.
E sempre ao meu dispor: fecunda oferta
de um calor de verão cioso ardente
que encheu de sabor ali discreto
à espera que eu o rompa tão sereno.
A sua cor reflecte-se nos olhos
que tremem só de ver aquela pele
acetinada de pequenos poros,
de curvas ondulantes e simétricas.
(de “Afloramentos”)
Das dezenas de livros publicados, sobressaem: “Obra I” (de “A Flor e a Noite”a “Tropos”; “Obra II” (de “Estranha Condição” a “Malva”); “Obra III” (de “Estórias na Arte” a “A Plana Luz do Dia”. Últimos volumes da sua obra poética: “Entre Pedras, o Verde” (2004), “Recapitulação” (2005), “Afloramentos” (2007), “Auras do Egeu e de outros mares” (2011), “Repor a Luz” (2011).

