João Pedro de Almeida Mota é um dos maiores compositores portugueses setecentistas, embora o seu nome não seja muito conhecido. Nasceu em Lisboa no ano de 1744 e aqui estudou na Irmandade de Santa Cecília. Com 17 anos foi nomeado cantor da Capela Real. Viria depois a ocupar no Seminário Conciliar de São Pedro, em Braga, o cargo de professor, sendo também músico da Câmara do Arcebispo Dom Gaspar. Em 1771 foi para Espanha, trabalhando como tenor na Catedral de Santiago de Compostela e na Catedral de Mondoñedo, como substituto de Mestre de Capela na Catedral de Lugo e como Mestre de Capela na Catedral de Astorga, em 1783. Foi ainda professor de rudimentos de música do Real Colégio de los Niños Cantores, em Madrid, para o qual elaborou uma colectânea de solfejos, e compositor, a partir de 1803, da Capela Real desta cidade, onde veio a falecer em 1817. É autor de mais de duzentas obras, de que se destacam os seus dezasseis quartetos d’arco, conjunto ímpar no contexto ibérico. Durante muito tempo foi quase desconhecido, devendo-se à investigação do musicólogo Humberto d’Ávila a descoberta desta personalidade ímpar da história da música em Portugal. Vamos ouvir a abertura da sua Paixão de Cristo.