CRIOULO SECRETO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 Nas vésperas do terceiro orgasmo, Biarni começava a rugir:

 –  Albranca, palidalva, atacastro? Eu te digo… Alagalho e retemordo o teu morvente morcuno, alrara boca. Soferrar, trelançar-te, cedabre! Rasgalhar a tua cogina turva, turvulva. Fundir e fodrasgar-te, mandá-lo nos fornifolhos, ovículos, tesúteros. mamúcios, venúsios. Seminasmo, orgozais, langonânsias. Volvir-me, devagar mastiguento. Comovoro, lambigalhas, nem ossobra que repossas. Alva cavalégua varo, porra, espora, esporra, memeto, mamato, metomato. matomato, mato, remato!

 Gritam os dois ao mesmo tempo. Logo ele se levanta, feliz felino. Vai lá para dentro. Que língua era aquela? Devia ser crioulo secreto, só dele para ele, linguagem interna que um sismo trouxera à superfície.

 Também Frigia se levanta, alquebrada, ofegante. Ele está a janela, contempla as correrias dos meus cavalos brancos, murmura:

 – Espora, espora!

 Alto, o permanente duelo, Frigia exausta. Mas quando  Biarni lançava o seu apelo, ela corria sempre ao seu encontro. 

In A COR DOS HOMENS


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