DIÁRIO DE BORDO de 16 de Outubro de 2012

Um novo partido vai nascer. MAS – Movimento Alternativa Socialista, segundo parece constituído sobretudo com ex-bloquistas. Para tal, foram ontem entregues no Tribunal Constitucional cerca de nove mil assinaturas. O Movimento Alternativa Socialista, tem como objectivo “ser uma nova força política também no Parlamento que diga uma vez por todas que basta de privilégios dos políticos, de mordomias, de frotas luxuosas de carros, reformas vitalícias, os milhões de euros que os partidos parlamentares recebem todos os anos”. E o seu porta-voz informou que  irá solicitar reuniões com as outras forças de Esquerda com vista a uma unidade activa contra a austeridade

Durante quase dois séculos, entre 1789 e 1968, com 1870 pelo meio, estruturas sindicais e partidárias, pareciam ser as única formas de organização concebíveis. As alavancas que permitiriam transformar a sociedade, mudar a vida e, ambição suprema, melhorar o homem. Em Maio de 1968, uma grande movimentação social desencadeada por estudantes, ganhou a adesão de trabalhadores e, sem chegar a ser uma revolução, transformou radicalmente a sociedade, desferindo duros golpes em atavismos de repressão – tais como o machismo, a xenofobia e o racismo. Tudo isto ocorreu em França e foi também de França que surgiram as mais lúcidas formulações sobre as novas formas de enfrentar conflitos sociais, nomeadamente os valiosos contributos de Alain Touraine. Partido significa fracção. Será que, usando a expressão de Alain Touraine, na sociedade pós-industrial a organização em movimentos sociais corresponde a uma resposta mais eficaz na luta por uma sociedaade mais justa?

Quando em 20 de Novembro de 1907, Afonso Costa no debate parlamentar sobre os adiantamentos do Estado à Casa Real, acusou o rei do crime de peculato e disse Por menos do que fez o Sr. D. Carlos rolou no cadafalso a cabeça de Luís XVI e saiu sob prisão e todos os deputados republicanos foram à tribuna reiteraram as palavras ofensivas contra o monarca, sendo obrigados a sair sob escolta da Guarda Municipal, transformaram o parlamento numa extensão do clima revolucionário que se vivia na rua. Assistir na televisão aos debates da AR é desolador. De uma maneira geral as intervenções são pobres formalmente e de conteúdo previsível. A Assembleia da República é um mau teatro com actores excessivamente bem pagos e onde se representa deplorável sempre a mesma peça. Se é ali que pulsa o coração da democracia, estamos a falar de uma democracia morta  e  a entrar em decomposição– ali nada pulsa.

 André Pestana, porta-voz da nova formação política, disse aos jornalistas – “Nós achamos que é uma pouca vergonha que centenas e milhares de milhões de euros tenham desaparecido para BPN`s, para submarinos, para parceiras público privadas e simultaneamente a população cada vez mais esteja com dificuldades”. O que sendo verdade é pouco para justificar a criação de um partido. Os deputados do PCP e do BE têm-no dito. A intenção de tentar unir a Esquerda é louvável, mas pouco mais do que isso será.  Constituir mais um partido (pequeno e sem expressão eleitoral) será um contributo para essa união? Partido significa fracção. E até os partidos pequenos e sem expressão eleitoral, quando falam de unidade, é em «unidade» sob a sua orientação que estão a pensar. É um filme que estamos cansados de ver. Em todo o caso, saudamos o MAS e oxalá a nossa previsão não se confirme.

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