UMA OUTRA NUVEM NEGRA, A OITAVA, PAIRA ENTRE WASHINGTON E PEQUIM E SOBRE TODO O MUNDO TAMBÉM

Selecção, tradução e nota de leitura por Júlio Marques Mota

(continuação)

5. Sobre o Renminbi (Yuan) – parte III (conclusão)

New York Times, 18 de Outubro de 2012

Renminbi (Yuan)

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Os norte-americanos pressionam a China quanto ao valor da sua moeda

Como as negociações começaram entre os Estados Unidos e a China, em Maio de 2012, o tema da manipulação da taxa de câmbio pela China permaneceu como um dos principais temas das negociações. O ritmo da apreciação da moeda chinesa em relação ao dólar tinha abrandado no ano anterior o que aumentou as preocupações para o governo Obama.

Em Pequim, o secretário do Tesouro, Timothy F. Geithner disse que permitir a apreciação do yuan era um importante passo na reformulação da economia da China e tão importante como o foi a abertura dos seus mercados na década de 1970.

O primeiro-ministro Wen Jiabao e o Partido Comunista tinham estado a tentar modificar o crescimento económico da China tentando orientá-lo mais no sentido do consumo interno e a desviá-lo das exportações e do investimento, enquanto gradualmente iam diminuindo o controlo sobre os mercados financeiros e sobre o renminbi, sem que com isso diminuíssem o seu controlo sobre as rédeas do poder.

Mas, na Primavera de 2012, a economia chinesa estava a sofrer de um mais baixo valor do investimento em capital fixo desde há uma década, com o investimento estrangeiro a cair de forma constante e com um enfraquecimento das vendas a retalho e com uma bolha imobiliária em ritmo acelerado de deflação. A China pode ter beneficiado consideravelmente em termos de empregos e de riqueza que seria criada pelo aumento das exportações e com o fornecimento de uma maior parcela da procura mundial em mercados que vão desde sapatos a roupas e a monitores de écran-plano ou a peças de automóveis.

Alguns economistas chineses ainda estão a argumentar que o renminbi deve agora ser ainda mais desvalorizado. Estes economistas são largamente ignorados pelos economistas chineses dominantes no Poder, mas estão já a começar a receber uma recepção calorosa de alguns dos media mais nacionalistas, como o Global Times, que tem ligações com o Diário do Povo e que é fortemente crítico do Ocidente e da maioria dos países vizinhos da China, com excepção da Coreia do Norte.

Mas muitos outros economistas chineses são cépticos sobre este argumento, referindo que uma moeda fraca irá manter o país dependente de exportações e vai manter os preços dos produtos importados altos para os resignados consumidores chineses.

Disponível em http://topics.nytimes.com/top/reference/timestopics/subjects/c/currency/yuan/index.html

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