Pentacórdio para Segunda 12 de Novembro

por Rui Oliveira

 

 

 

   Nesta Segunda 12 de Novembro as iniciativas musicais públicas não abundam, daí poder sobressair o recital Foyer Aberto a ter lugar no Teatro Nacional de São Carlos, às 18h, de acesso livre, intitulado “Do clássico às canções e temas da América Latina“, onde o Ensemble Clave de Dó e as Violas da Orquestra Sinfónica Portuguesa constituídos por Pedro Saglimbeni Muñoz, Ceciliu Isfan, Galina Savova, Cécile Pays, Etelka Dudas, Maria Cecília Neves, Sandra Moura, Ventzislav Grigorov e Vladimir Dmirev vão executar um repertório que consta de :

 

      Georg Friedrich Händel  Suite Handeliana

      Antonio Vivaldi  Outono

      Wolfgang Amadeus Mozart  Marcha Turca

      Giacomo Puccini  Nessun Dorma

      Canção Tradicional Napolitana  Io te Vurria Vasa

      Johann Strauss  Violetta

      Valsa Venezuelana  Brumas del Mar

      Venezuela  Gaban Indio

      Brasil  Brejeiro  

      Tradicional Mexicano  Cielito Lindo

      Astor Piazzolla  La Muerte del Ángel e Adiós Nonino

      Carlos Gardel  Por una Cabeza

 

   Embora não totalmente coincidentes, eis algumas “cordas” da Orquestra Sinfónica Portuguesa interpretando Piazolla em Julho de 2010 :

 

 

 

   No campo do debate de ideias, há nesta Segunda 12 de Novembro nos Auditórios 2 e 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, numa parceria com o Serviço Educativo da Culturgest, uma Conferência Internacional  “Em nome das artes ou em nome dos públicos?” cujo subtítulo é “Pensando os conceitos de mediação, emancipação e participação dos públicos”. Prolongar-se-á até Quarta 14, no mesmo local.

   O acesso é público mas com inscrição prévia obrigatória, sujeita à lotação e a confirmação. (ver programa em: http://www.culturgest.pt/actual/03-21-enaenp.html )

   Afirmam os seus promotores que “… Um pouco por todo o mundo, na esfera da arte contemporânea e da museologia, a mediação cultural é discutida como uma proposta autónoma, crítica ou coadjuvante das práticas promovidas por serviços educativos e educadores de museus e espaços culturais…  Longe de querer apresentar soluções e interessada na promoção de diálogos e na construção de saberes a nível internacional, (esta) terceira edição da Conferência … lança os conceitos de mediação, emancipação e participação como desafios à reflexão crítica”.

   O programa inclui oradores de renome internacional como Maria Lind, Nora Sternfeld e Shirley Apthorp. Participam ainda Kaija Kaitavuori, Maria Acaso Lopez-Bosch, Rui Vieira Nery, Elvira Leite, Jorge da Costa, Sara Franqueira, Sofia Vitorino e Susana Alves. A apresentação e síntese da conferência estará a cargo de André E. Teodósio e Maria Vlachou.

 

 

   Ainda no âmbito de conferências no espaço da Fundação Gulbenkian há na mesma Segunda 12 de Novembro, às 18h, no Auditório 3 (com entrada livre) mais uma conferência ligada à exposição “As Idades do Mar”  localizada no Edifício Sede da Fundação a que aqui já nos referimos – um conjunto de mais de uma centena de obras, dos séculos XVI ao XX, provenientes de 51 instituições nacionais e estrangeiras (com o apoio excepcional do Museu d’Orsay) onde o mar é o tema central.

   A palestrante será Concha Herrero Carretero (do Património Nacional em Madrid) e versará “Da linha do horizonte à paisagem”- Evolução da tapeçaria nas colecções espanholas.

   A imagem (à direita) que ilustra a convocatória é  Figura de Branco, Biarritz (1906) de Joaquín Sorolla Bastida (1863-1923) existente no Museo Sorolla, Madrid (n.º inv. 773)

 

 

 

   Noutro plano culturalmente diverso, inicia-se na Segunda 12 de Novembro, por iniciativa do Centro de História da Faculdade de Letras e da Embaixada do Reino de Marrocos, uma “Semana de Marrocos na Universidade de Lisboa” abrindo com uma Conferência “As Relações Luso-Marroquinas: da história às perspectivas de futuro”, às 17h, onde palestrarão o Prof. Dr. António Dias Farinha, Director do Instituto de Estudos Árabes e Islâmicosda Universidade de Lisboa  (“Marrocos e Portugal : Uma relação milenária”), o Professor Ahmed Boucharb, Universidade Ain Chok de Casablanca (“La place de Doukkala dans l’empire commercial portugais à partir des Cartas de quitaçãode D.Manuel “), Hakima El Haité, Deputada/Vice-Presidente da Internacional Liberal das Mulheres (“A condição da Mulher em Marrocos”) e João Rosa Lã, Ex-Embaixador de Portugal em Rabat (“As Relações luso-marroquinas entre o Presente e o Futuro”).

   Segue-se a Cerimónia do Chá e um espectáculo musical. A entrada é livre.

 

 

 

 

   Já no plano cinematográfico, o Institut Français de Portugal anuncia que a 13ª Festa do Cinema Francês regressa a Lisboa para uma sessão especial nesta Segunda-feira 12 de Novembro, às 19h30 : a apresentação da cópia restaurada do filme “Lola” de Jacques Demy que fez a abertura da Festa em Guimarães.

   Com Anouk Aimée (Lola), Marc Michel (Roland), Alan Scott (Frankie), Jacques Harden (Michel), Elina Labourdette (Mme Desnoyers) nos principais papéis, o filme tem a história (conhecida dos cinéfilos) : “ Lola, bailarina de cabaret, cria um rapaz cujo pai, Michel, se foi embora já há sete anos. Ela espera-o, ela canta, dança e eventualmente ama os marinheiros que passam. Roland Cassard, amigo de infância reencontrado por acaso, fica muito apaixonado por ela. Mas ela ainda espera por Michel…”.

   Sobre o restauro desta primeira longa-metragem de Jacques Demy, rodada em Nantes durante o Verão de 1960 cujos negativos originais ficaram destruídos por um incêndio, sabe-se que um novo internegativo foi feito no ano 2000 com a ajuda dos Arquivos Franceses de Cinema, a partir de uma cópia encontrada no Instituto Britânico de Cinema, o qual foi supervisionado por Agnès Varda, com o apoio de Raoul Coutard, operador de câmara chefe em Lola.

   Mais tarde, já em 2012, um restauro completo (inclusive digital de imagem e de som) com o regresso ao suporte película (o único que pode garantir a conservação duradoura dos elementos restaurados) foi levado a cabo por fundações francesas ligadas ao cinema que concluem :“Desta forma, Lola dispõe de elementos de difusão digital de alta definição mas também de suportes prateados restaurados que, conservados no seio de um arquivo, são a garantia da perenidade do nosso trabalho”.

   É este o filme-anúncio da versão restaurada :

 

 

 

 

 

   Na Cinemateca Nacional arranca nesta Segunda-feira 12 de Novembro o ciclo “O Cinema Marginal Brasileiro e as Suas Fronteiras”, organizado no âmbito do Ano Brasil Portugal, a partir de uma proposta do programador brasileiro Eugénio Puppo, que mostra um dos aspectos mais ricos e menos conhecidos (inclusive no Brasil) do cinema brasileiro: o “cinema marginal”, que sobretudo de finais dos anos sessenta a meados dos setenta foi feito no Rio de Janeiro e em São Paulo, precisamente no período mais duro do regime militar (1964-85).    

  “ Marginal porque feito à margem da indústria e dos critérios predominantes, marginal porque proibido e por vezes nem sequer submetido aos serviços de censura, sendo mostrado em sessões privadas. E marginal porque foi ignorado pela crítica internacional, obnubilada pelo Cinema Novo. Longe de qualquer folclore ou “exotismo”, longe da militância política, este é um cinema urbano, ora erudito, ora bárbaro, ora trash, ora cosmopolita e ligado à drug culture e às noções de underground e vanguarda. Um cinema rico e inventivo, que de certa maneira é o epitáfio de um certo Brasil.” (texto da Cinemateca)

   O início do Ciclo far-se-á na Sala Dr. Félix Ribeiro, às 21h30, com a projecção de “Documentário” (1966) de Rogério Sganzerla (na foto junto) com Vítor Loturfo, Marcelo Magalhães, a curta-metragem de estreia do realizador a qual, apesar do título, não é um documentário, mas sim uma ficção sobre cinema onde dois jovens procuram um cinema para passar o tempo e discutem sobre cinema.

   Segue-se “O Bandido da Luz Vermelha” (1968) com Paulo Villaça, Helena Ignez, Luís Linhares de Rogério Sganzerla, realizado quando Rogério Sganzerla (1946-2004) tinha apenas 22 anos e que “explodiu como uma bomba no cinema brasileiro, fazendo com que o cinema de Glauber Rocha e dos seus amigos parecesse bruscamente antiquado. Abertamente godardiano, recheado de citações cinéfilas, irreverente e divertido, o filme conta a história de uma espécie de Pierrot-le-Fou, que assalta ricas residências em São Paulo, para depois esbanjar o dinheiro roubado. Delinquente e despolitizado, o protagonista escandalizou a esquerda oficial ” (diz o mesmo texto).

   Mostramos-lhe possivelmente uma das suas melhores cenas, mas quem pretenda ver “O Bandido da Luz Vermelha” integral clique aqui (agradecendo ao YouTube)  

http://youtu.be/UfUpwNO0KCg  :

 

 

 

 

   Ainda na Cinemateca Nacional, nesta Segunda 12 de Novembro, o Ciclo do Festival Temps d’images ”O Cinema à Volta de Cinco Artes, Cinco Artes à Volta do Cinema – Cinematografia e Musicalidade II” , tem como programação na Sala Dr. Félix Ribeiro às 19h :

   “Mutirão” (Brasil, 1975) de Leon Hirszman, um dos três títulos documentais “Cantos do Trabalho” realizados entre 1974 e 76 sobre os cantos entoados pelos trabalhadores rurais nordestinos, filmado em Chã Preta (Alagoas), no interior do Brasil.

   “PachamamaUnsere Erde” (A Nossa Terra) (Alemanha, 1995) de Peter Nestler (na foto), onde este nos guia numa viagem ao Equador, “ao coração de uma antiga cultura índia (onde) apesar de terem sido pesadamente desfigurados pelos conquistadores espanhóis, muitos dos antigos tesouros e, mais notavelmente, muitas das antigas tradições e costumes sobreviveram e estão ainda hoje em prática”.

 

 

 

   Por último no programa lisboeta para esta Segunda 12 de Novembro do 7º Lisbon & Estoril Film Festival , além da retrospectiva de Brian de Palma e das homenagens a Monte Helman e outros cineastas, estão em competição na Selecção Oficial na Sala 1 do Cinema Monumental, às 19h30 “Después de Lucia” (México, França) de Michel Franco e às 22h “Winter, Go Away !” (Rússia) de Elena Khoreva, Denis Klebleev, Askold Kurov, Dmitry Kusabov, Nadezhda Leonteva, Anna Moiseenko, Madina Mustafina, Sofia Rodkevich, Anton Seregin, Alexey Zhiriakov.

   Na Selecção Oficial mas fora de competição exibem-se na Sala 4 do Cinema Monumental, às 19h “Holy Motors” (França) de Leos Carax e às 21h30 “La Noche de Enfrente” (Chile, França) de Raúl Ruiz.

   Este é o filme-anúncio do primeiro, Después de Lucia, a história de Alejandra e de seu pai, Roberto, que se mudaram da calma Puerto Vallarta para a nova e grande Ciudad de México. Ela é nova na escola, ele tem um novo emprego. Começar de novo é por vezes complicado quando se deixa tanto para trás …

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sábado aqui )

 

 

 

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