Pentacórdio para Terça 13 de Novembro

por Rui Oliveira

 

 

 

   Esta Terça-feira 13 de Novembro não é muito fertil em grandes eventos culturais públicos (efeitos do ensanduichamento entre as más-vindas a Merckel e a convocada “greve geral”?), pelo que não há praticamente música, ressalvando-se o Recital de Cravo a ocorrer na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h (com entrada livre) onde a jovem pianista, flautista e cravista Andrea Teixeira acompanhada do cravista David Cramner interpretarão um programa que é por ora desconhecido.

   Recorde-se que o britânico David Cranmer, radicado em Portugal desde 1981, é docente e investigador da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, organista da Igreja Anglicana de Saint George, tendo actuado em múltiplos recitais de órgão, concertos com solistas e com coros tais como o Coro Gulbenkian, o Coro da Universidade de Lisboa e o Coro de Câmara de Lisboa, com que gravou o disco “A Capela do Rei Magnânimo” (Portugalsom).  Foi ainda o Director Artístico do Festival Internacional de Música de Mafra de 1997 a 2001.

   É, em particular, um estudioso de Marcos Portugal (1762-1830) e a sua época daí divulgarmos a gravação duma canção deste compositor (“Perdoar com condições”) de um concerto da Academia dos Renascidos na Biblioteca Nacional em 2011 onde a flautista é Andrea Teixeira, o cravista Davis Cranmer, a par de José Grossinho bandolim, acompanhando Alexandra van Leeuwen soprano e Alberto Pacheco tenor :

 

 

 

   Uma abordagem de temas musicais ocorrerá na Terça-feira 13 de Novembro quando no Goethe-Institut (no Campo dos Mártires da Pátria, 37), às 18h30 num ciclo organizado por Filho Único de entrada livre, se discutir a “Música de libertação hoje em Portugal”.

   Prevê-se um debate “sobre todas as mecânicas de libertação, expansão cívica, revolução e ataraxia na música portuguesa pós-25 de Abril”, sendo alguns dos seus intervenientes contemporâneos actuantes de maior preponderância no Portugal de hoje. (Propõe-se uma…) conversa sobre todos os tempos em que fomos inoperantes ou altruístas e as possibilidades de emancipação popular construtiva daqui em diante.

 

 

 

   Também na Terça-feira 13 de Novembro na Sala 2 da Culturgest, às 18h30, prossegue o ciclo de conferências sobre “História e Teoria da Crítica” pelo crítico, nomeadamente de música e cinema, Augusto M. Seabra, desta vez abordando “A invenção da modernidade e as mutações dos conceitos de arte”.

  Escreveu o orador : “… A prática crítica foi constitutiva da consolidação do espaço público no século XVIII. A imprensa implantou-se não apenas enquanto veículo noticioso de eventos mas também como modo de dar a conhecer as novidades artísticas e os gostos. O que distingue a crítica não é apenas uma subjectividade de gosto mas sim a explanação de critérios estéticos, tendo em conta a historicidade das obras, os paradigmas interpretativos e as noções de contemporaneidade”.

 

 

 

 

   Já no Institut Français de Portugal, às 19h30 da mesma Terça 13 de Novembro o debate do seu habitual Café Philo é diferente, pretendendo-se, numa discussão (em francês, de entrada livre) animada por Omar Belhassaïn (professor de Filosofia no Liceu francês Charles Lepierre), responder à questão “Vivons-nous en démocratie?”(Vivemos em democracia ?).

   Como reflexão introdutória, adianta-se : “Admite-se comumente que vivemos – pelo menos na Europa – em democracia… Contudo, elevam-se críticas, cada vez mais audíveis, à real natureza das nossas instituições. Duas orientações parecem destacar-se. Por um lado, há reivindicações incidindo no papel das instituições europeias e dos tratados resultantes que parece ultrapassar as escolhas dos cidadãos dos Estados (vide Tratado de Lisboa). Será legítimo questionar e fazer voltar a votar os eleitores quando os mesmos não votaram no “sentido certo” ? Por outro lado, são cada vez mais as vozes que põem em causa a pluralidade da informação e do discurso mediático… a falsa neutralidade dos chamados “peritos económicos” … Poderá falar-se de democracia quando os media dominantes dão uma só visão do mundo ? Deverá falar-se dum controle dos espíritos ? É isto compatível com o conceito de democracia ?”

   Debate interessante e muito actual. Aconselharíamos a acompanhá-lo.

 

 

 

   No campo da sétima arte, tanto o Instituto Alemão como o Espanhol divulgam as suas cinematografias neste dia 13 de Novembro (Terça-feira).

 

   Ao Goethe Institut regressa, como é habitual no Outono, o Kellerino  – Cinema na Biblioteca onde, às 19h30, com entrada livre será projectada (em alemão com legendas em português) a comédia “Minhas mentiras, meu amor” (Lila Lila) numa realização de Alain Gsponer (2008), com Daniel Brühl (David Kern), Hannah Herzsprung (Marie), Henry Hübchen (Jacky), Kirsten Block (Karin Kohler) nos principais papéis.

   Sinopse : David, um jovem empregado de mesa, encontra um manuscrito numa gaveta. Para impressionar Marie, uma jovem estudante de literatura, finge ser o autor da obra. Mas quando a obra se torna num grande sucesso, e o verdadeiro autor reaparece, a vida de David começa a complicar-se.

  O único filme-anúncio disponível é este (falado em alemão) :

 

 

 

   Ao mesmo tempo no Instituto Cervantes o ciclo De pata negra: Cine español con sello de calidad“ exibe mais um filme nesta Terça-feira 13 de Novembro, às 18h30, chamado “Los lunes al sol” (2002) de Fernando León de Aranoa, com Javier Bardem, Luis Tosar, Jose Ángel Egido, Nieve de Medina, Enrique Villén, Celso Bugallo, Joaquín Climent e Aída Folch nos principais papéis.

   Tema : Uma cidade do Norte, na costa, que virou costas ao campo e se rodeou de indústrias que a fizeram crescer desproporcionadamente. Um grupo de homens que percorrem todos os dias as suas íngremes ruas para ganharem a vida. Um medo de longa duração, equilibristas do fim do mês, e também do princípio, sem palmas no fim, que caminham diariamente pela corda bamba do trabalho precário … Fazem das suas parcas alegrias conversa, rotina, como se esse naufrágio de que tentam escapar não fosse deles … enquanto riem, de tudo e de nada em concreto, esperançosos, calmos, na manhã de uma “Segunda-feira ao sol “.

   É possível ver aqui o filme integral http://youtu.be/tbdYUC9igtY   (agradecendo ao YouTube) ou ver apenas o seu anúncio :

 

 

 

 

    Por fim, concluamos com os filmes que nesta Terça 13 de Novembro estão em competição no 7º Lisbon & Estoril Film Festival  nos cinemas da capital, não sem antes relembrar (pormenor que não destacámos ontem) que “Winter, Go Away !” (Rússia) dos jovens realizadores russos Elena Khoreva, Denis Klebleev, Askold Kurov, Dmitry Kusabov, Nadezhda Leonteva, Anna Moiseenko, Madina Mustafina, Sofia Rodkevich, Anton Seregin, Alexey Zhiriakov em exibição amanhã (Segunda 12) no Monumental (22h) também é um candidato interessante pois documenta, nas vésperas da eleição presidencial ocorrida já em 2012 no seu país, as actividades da campanha levada a cabo pela oposição ao regime de Putin (com a curiosidade de incluir uma entrevista às Pussy Riot e imagens do célebre episódio da invasão de uma igreja ortodoxa por membros daquela banda).

   Eis o respectivo trailer :

 

   Dos filmes de Terça, os dois em competição seleccionados serão exibidos na Sala 1 do Cinema Monumental e são, às 20h “The Shine of Day” (Áustria) de Tizza Covi e Rainer Frimmel com Philipp Hochmair, Walter Saabel, Vitali Leonti e, às 22h, “The Student” (Cazaquistão) de Darezhan Omirbayev, inspirado no Crime e Castigo de Dostoievski.

 

   A encerrar, chamamos a atenção para a ante-estreia em Portugal, nesta Terça às 21h45 na Sala 4 do Cinema Monumental, como Selecção Oficial mas Fora de Competição, do último filme de Bernardo Bertolucci “Io e Te” (Itália, 2012) com Tea Falco (Olivia), Jacopo Olmo Antinori (Lorenzo), Sonia Bergamasco, Veronica Lazar, Tommaso Ragno, Pippo Delbono e Francesca De Martini nos papéis principais.

   Sinopse : Lorenzo é um jovem solitário de 14 anos, diferente dos outros. Um dia, engana os pais e falta a uma viagem escolar para realizar o sonho de se esconder numa cave abandonada do prédio onde mora. Durante uma semana, pode finalmente evitar todos os conflitos e as pressões e comportar-se como um adolescente dito normal. A chegada inesperada da meia-irmã Olivia vai mudar tudo.

   Mostramos aqui o seu filme-anúncio :

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Domingo aqui )

 

 

 

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