Pentacórdio para Quarta 14 de Novembro

por Rui Oliveira

 

 

 

   Na Quarta-feira 14 de Novembro é inaugurada na Galeria do rei D. Luís I do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, a exposição “VIACRUCIS – A Paixão de Cristo” do artista colombiano Fernando Botero, no âmbito da visita a Portugal do Presidente da República da Colômbia, a qual seguirá depois para a Alemanha e Espanha e posteriormente ainda para o Líbano e o México.

   Esta mostra é composta pela última série de 27 telas e 34 obras sobre papel pintadas por um dos pintores e escultores mais reconhecidos a nível internacional da arte contemporânea, mestre Fernando Botero (hoje com 80 anos), nascido em Medellín, na Colômbia, a cujo Museu de Antioquia acaba de doar grande parte da sua colecção pessoal.

   Foi exposta em Nova Iorque onde em 2006 Botero chocara exibindo pinturas e gravuras denunciando as torturas na prisão de Abu Grahib  e em Medellín, na Colômbia, antes da sua chegada à Galeria do Rei D. Luis I no Palácio da Ajuda, onde estará exposta até ao dia 27 de Janeiro de 2013.

   “VIACRUCIS – A Paixão de Cristo” −  diz o texto oficial – “pretende propiciar uma reflexão sobre o drama da paixão e morte de Jesus Cristo, sendo que o trabalho apresentado demonstra uma mudança nas motivações do artista mantendo a força da sua própria linguagem”.

        

   

   Outra exposição de índole muito diversa que poderá interessar o leitor nesta tão parca Quarta 14 de Novembro é “Riso : uma exposição a sério”, uma exposição colectiva no Museu da Electricidade (aberta até 17 de Março de 2013), organizada pela Fundação EDP e pelas Produções Fictícias dedicada ao riso. A entrada é gratuita.

   “E porque nada é mais sério do que o riso, fazer uma exposição sobre este tema é, na nossa época, pensar criticamente a vida, o mundo, a sociedade”, refere José Manuel dos Santos, um dos comissários da mostra, com João Pinharanda, Nuno Artur Silva e Nuno Crespo.

    “Riso: Uma Exposição a Sério” conta com pintura, desenho, instalações, vídeo, fotografia, escultura e performances, cinema, BD, programas de televisão, espectáculos, literatura, obras de artistas nacionais e internacionais, oriundas de alguns dos mais importantes museus e colecções particulares.

      

   Este projecto parte de uma profunda investigação acerca dos dispositivos cómicos e humorísticos, tal como foram e são utilizados por diferentes protagonistas, em diferentes tempos e em diferentes áreas.  Da arte à história, da literatura ao cinema, da filosofia à teologia, da política à sociologia, da psicologia à medicina, a exposição conta também com algumas obras inéditas encomendadas pela Fundação EDP especialmente para esta exposição.

   Um bom e exaustivo relato do que ocorre nesta exposição (para mais ao som da música dos Monty Pithon!) é o que foi feito no programa Câmara Clara do passado dia 4/11, pelo que o reproduzimos aqui :

 

   Ainda outra exposição recentemente inaugurada pode (e deve, a nosso ver) atrair o leitor na mesma Quarta-feira 14 de Novembro tão exígua em ofertas é a que a Galeria Zé dos Bois, vulgo ZDB, naRua da Barroca, nº 59 (Lisboa), organizou para comemorar o seu 18º aniversário e que intitulou “Tem calma o teu país está a desaparecer” (aberta de Quarta a Sexta das 18h às 23h, Sábados das 15h às 23h).

   Com curadoria de Natxo Checa, surge uma exposição colectiva, chamando a si, por um lado, artistas com os quais partilha uma relação próxima de criação, produção e reflexão intelectual há mais de uma década e, por outro, artistas emergentes com quem, nos últimos três anos, iniciou um diálogo de colaboração baseado em residências artísticas. Ali estão assim Gabriel Abrantes, Tiago Baptista, Mattia Denisse, Alexandre Estrela, João Maria Gusmão & Pedro Paiva, Musa Paradisiaca (Eduardo Guerra e Miguel Ferrão), Filipe Felizardo, Carlos Gaspar, Sílvia Prudêncio, Gonçalo Pena, Alexandre Rendeiro e Rigo 23.

   Justifica o curador : “ A situação política, social e económica actual – onde o dinheiro e a ganância se sobrepõem aos interesses colectivos –, parece-nos mais próxima de um cenário kafkiano do que fruto de uma civilização avançada. Este momento de excepção cria uma oportunidade única para que cada indivíduo se reveja e reflicta sobre a sua experiência do real. Nesse contexto, afastando de si um pessimismo vigente, os artistas, abordando a noção de percepção e realidade, produziram trabalhos de potencial ficcional que tornam visível, por vezes com humor, uma outra e desejada experiência”.

 

 

   Neste mesmo espaço, o da galeria ZDB, apresenta-se na Quarta-feira 14 de Novembro, às 22h, a banda mítica “The Ex” cujos membros presentes são Terrie Hessels  guitarra barítono,  Katherina Bornefeld  voz, tambores, percussão, Andy Moor  guitarra barítono e Arnold de Boer  voz, guitarra, misturas.

   “ Alguns músicos já partiram (o lendário vocalista G.W. Sok, os baixistas René e Luc), mas o som nunca parou de se expandir com a presença de amigos e convidados, para outros universos…”, esclarece a ZDB “… Começaram nos finais dos anos 1970, na cena punk holandesa, empenhados em usar a energia da música popular ao serviço de uma militância política. Sem o radicalismo dos Crass ou o lirismo dos Minutemen, abraçaram a poética musical das Raincoats, das Slits ou dos The Fall: “punk” convulso e frágil, suspenso em arames, mas directo e abrasivo, como se ouve nos três primeiros discos … A ironia das letras, a melancolia a contaminar as melodias, uma certa consciência história e política inscrevem os The Ex no lastro do pós-punk europeu …

   … No século XXI, continuaram em movimento com a mesma generosidade e grandeza, afinando os riffs, os refrões e as vozes contra a mercantilização da vida, a violência das (grandes) instituições e sanha da competição e do lucro. Basta recordar a urgência que atravessa “Dizzy Spells”… Em 2010 convocaram os sopros de Mats Gustafsson, Roy Paci, Ken Vandermark and Wolter Wierbos para uma digressão europeia. Indiferentes a centros e as periferias, ou prontos a redesenhá-los, viajaram à Etiópia, professando um amor pela música africana que se materializa em discos soberbos (“Moa Anbessa” e “Y’Anbessaw Tezeta”).

   Do seu novo CD “Catch My Shoe” (2011) ouçamos o tema Double Order :

 

  

 

   Ainda na música, quem nesta Quarta-feira 14 de Novembro fôr ao Ondajazz, às habituais 22h30, ouvir “SoulBossa” terá (anunciam-no) “o melhor dos clássicos do Soul norte americano e da Bossa Brasileira nas vozes de Márcio Costa e Ana Semedo”. Em palco estarão ainda Shera e Paula Borges  back vocais, Azarias baixo e Roberto da Luz piano/ teclado.

   Se de um lado estão os temas e os hits de Aretha Franklin, Michael Jackson ou Stevie Wonder, do outro estarão também os temas quentes de Ed.Mota, Sandra Sá ou ainda Djavan . Acompanham-nos a “eclética” banda “FunkPro”.

   Do seu álbum “Soul Music” retirámos esta canção de Ana Semedo :

 

   Quanto a conferências de acesso geral, há nesta Quarta-feira 14 de Novembro, às 18h, no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian uma nova palestra do Ciclo de Conferências “Matemática, a Ciência da Natureza” proferida por André Neves (do Imperial College, Londres) sob o título “Trigamia intelectual: Poincaré, Hamilton e Perelman”.

   Diz o próprio : “ Um dos maiores acontecimentos matemáticos dos últimos vinte anos foi a demonstração da Conjectura de Poincaré, um problema por resolver há mais de cem anos. Após tentativas sem êxito de inúmeros matemáticos, Perelman, baseando-se num trabalho anterior de Richard Hamilton, conseguiu resolver o problema mais famoso na área da Geometria. Nesta palestra vamos tentar explicar, de forma acessível, as ideias principais da demonstração da Conjetura de Poincaré.

 

   Por último, no campo do teatro é reposta esta Quarta-feira 14 de Novembro, na Sala Vermelha do Teatro Aberto, às 21h30 a peça  “Pelo Prazer de a Voltar a Ver” da autoria de Michel Tremblay, adaptada e encenada por Marta Dias, com Luís Barros e Sílvia Filipe na interpretação.

   Permanece em palco até 23 de Dezembro, de Quarta a Domingo.

   Breve síntese : “ O palco é o lugar mágico que permite todos os sonhos. Desta vez, não há duelos, nem príncipes, nem oráculos mas sim o teatro das pessoas, das pequenas coisas que temos em comum… e nos tornam únicos.

   Um dramaturgo sobe ao palco para nos falar da mulher que desinquietou o seu espírito de jovem sonhador, para nos contar como se tornou quem é. A história que conta não é muito diferente das nossas histórias mas nós queremos ouví-la outra vez – tal como ele deseja voltar a ver essa mulher, mais uma vez.”

   Em vez de cenas curtas e soltas dum trailer, veja-se o making off da peça na voz da encenadora e dos actores :

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui )

 

 

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