EM VIAGEM PELA TURQUIA – 42 – por António Gomes Marques

(Continuação) 

Encontram-se também no Museu os restos mortais e parte do tesouro do Rei Midas.

               

«O Rei Midas realmente existiu. Em 1969, pesquisadores do Museu de Arqueologia e Antropologia da University of Pennsylvania sob a liderança de Rodney Young, após escavações na Turquia em Gordiom (hoje Yassihüyük) antiga capital da Frígia, localizaram o túmulo de Midas. O caixão mortuário estava muito bem preservado, era feito de troncos de árvores e em sua volta havia vasos de cerâmica e metal, taças, bandejas e outros recipientes e objetos. Ali houve, segundo Dr. Patrick E. McGovern da equipe de arqueólogos da U.Penn, um banquete fúnebre para o Rei e quase todas as iguarias e bebidas puderam ser identificadas. Cem foi a quantidade aproximada de convidados nessa grande refeição, conforme avaliação dos especialistas.» (ver – http://pt.wikipedia.org/wiki/Midas).

 Na mitologia, atribui-se a Midas a capacidade de transformar em ouro tudo em que tocava.

 Antes de darmos por finda a descrição desta visita, não resistimos à tentação de referir, com curiosidade, que em 1997 o Museu das Civilizações da Anatólia foi o vencedor do Prémio do Museu Europeu do Ano.

 Dizemos “com curiosidade” pelo facto de o Museu estar situado em Ancara, mais ou menos no centro da Anatólia (Ásia Menor), o que muito me apraz registar por ser eu um adepto da entrada da Turquia na União Europeia, entrada esta que tem provocado grande polémica, com muitos argumentos a favor e outros contra, mas voltaremos a esta questão na parte final deste nosso trabalho, naturalmente a seguir ao final da viagem, no seu 8.º dia, que é o do regresso a Portugal.

 Foi chegado o momento de irmos para o hotel, onde jantámos e onde passámos a noite. No dia seguinte, foi a partida para Istambul, ou devo dizer regresso?

 SEXTO DIA

Por fim, regresso a Istambul! E este regresso tem significado duplo. No início desta viagem passámos pelo Aeroporto Atatürk –sempre presente, o herói turco!- para à pressa, como relatámos, apanhar o avião das linhas internas que nos levaria a Izmir. No entanto, para nós, regresso a Istambul tem um outro significado. Expliquemo-nos, embora a isso já tivéssemos aludido neste «Em Viagem pela Turquia».

 Em Março de 1989 chegámos, pela primeira vez, a esta cidade, cuja luz logo nos remete para a nossa Lisboa. Então, eu e a Célia estávamos com os nossos companheiros habituais de viagem: a Helena e o «seu» Carlos Loures (este «seu» terá uma pequena explicação, mas vamos com calma). Como seria bom tê-los também ali connosco nesta segunda visita, não só pela companhia mas também por sabermos o quanto eles gostariam de nos ter acompanhado nesta nova visita, sobretudo pela viagem pela Anatólia, viagem esta que, em 1989, logo projectámos. Mas na vida não temos apenas problemas económicos a limitar-nos, há problemas incontornáveis como os que com a saúde se relacionam e esses são sempre mais impeditivos do que a falta de dinheiro.

 

Mas por que razão falo eu nisto? Em primeiro lugar por termos sonhado juntos esta viagem, depois pelo prazer que a companhia da Helena e do Carlos nos daria, com a certeza de que encontrariam também na presença da Fernanda e do Luís o mesmo prazer que os quatro sempre tivemos quando viajámos por muitos e variados países. Se é certo que perdemos a possibilidade de nos confrontarmos, juntos, com outros usos e costumes, fundamental para a nossa forma de encarar o Mundo, a amizade que nos une continua incólume, mesmo nas poucas divergências que na análise do dia a dia possam surgir. Sentados à volta de uma mesa de restaurante ou numa sala mais íntima, podemos continuar a «viajar» e a tentar construir um Mundo melhor para todos. O sonho não morreu!

O que vimos em 1989, voltámos a ver neste regresso a Istambul. Então, lamentámos não ter tido oportunidade de visitar o Palácio de Topkapi, mas desta vez não deixámos de o fazer. Mas já falaremos das visitas que nesta viagem tivemos oportunidade de concretizar. Agora, estamos ainda a recordar a primeira visita a Istambul, não podendo deixar de assinalar o único acontecimento que, desta vez, não tinha possibilidade de repetir-se.

28 de Março é a data de aniversário da Célia, minha mulher, o que, em 1989, coincidiu com o jantar conjunto do grupo que havia viajado pela Itália, pela Grécia e, por fim, visitado Istambul. Naturalmente, não foi um jantar português, de que todos nós já estaríamos com saudades, mas não deixou de ser um jantar bem servido e rodeado de simpatia ¾ o que na Grécia, por exemplo, não tinha acontecido, quer na simpatia quer na qualidade. No final do jantar, foi a Célia surpreendida, e nós ¾ Helena, Carlos e eu próprio ¾ com um bolo de aniversário, proporcionando a habitual cantoria do «Parabéns a você…», desta vez acompanhada pelos cantores que ao longo do jantar nos foram presenteando com canções oriundas dos países que no restaurante tinham representantes.

Nós, portugueses, tivemos direito a duas canções: a «Lisboa Antiga», com música de Raul Portela e letra de José Galhardo e Amadeu do Vale e «Coimbra», com música de Raul Ferrão e letra de José Galhardo,, uma e outra imortalizadas pela Amália Rodrigues, uma das grandes vozes do século XX, lembrando o Carlos, sempre que disto falamos, a excelente pronúncia do cantor turco. No final, algumas das bailarinas da «dança do ventre para turista ver» (e nós não nos consideramos turistas), percorreram várias mesas para se fazerem fotografar com os clientes, naturalmente mais preocupadas com a comissão resultante das fotografias vendidas do que connosco (nós, em situação idêntica, teríamos outra preocupação?), tendo-nos calhado a bailarina que a fotografia que reproduzimos mostra.

Aqui chegados, não resistimos à tentação de vos dar a conhecer um outro acontecimento de que nos lembramos com grande satisfação e que é sempre motivo para brincarmos com a Helena e com o amor que une estes dois seres, a própria Helena e o «seu» Carlos, de que a fotografia é uma prova evidente. Reparem:

Célia, António, Carlos e Helena com bailarina – Istambul 1989-03-28

A bailarina, mais interessada no fotógrafo do que em nós, faz o gesto habitual «para a fotografia» de colocar as mãos no meu ombro e no ombro do Carlos; a Helena, ao ver o gesto, logo colocou a sua mão no outro ombro do Carlos, mostrando claramente que aquele senhor tinha «dona», facto este que explica o eu ter escrito acima o que escrevi: “o «seu» Carlos Loures”.

É a primeira vez que divulgo o facto; até agora, só com isto brincávamos entre nós. O tempo entretanto decorrido e a idade que temos já nos permitem dar a conhecer estas provas de amor (na altura também de ciúme?) que eu e a Célia vimos e vemos com enorme prazer.

Mas é chegado o momento de regressarmos a Junho de 2010.

(Continua)

1 Comment

  1. Percorremos juntos uma boa parte da Europa, e não só, e foram momentos de oiro, recordações que iluminam os dias menos felizes que vivemos. A Célia e tu foram companheiros dessas incursões noutras realidades, noutras culturas. Companheiros inesquecíveis – em Istambul, Cairo ou Havana, em Sampetesburgo, Londres ou Amesterdão, em Tunes, em Paris ou Munique… tal como na Costa da Caparica ou em Chã de Alvares. O sol da amizade, tal como no império da Carlos V, nunca se pôs. E brilha.

Leave a Reply