LINHA JUSTA – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

Na Vila Sousa, no Largo da Graça, em Lisboa, um grupo de obstinados, liderados pelo Tomás de Figueiredo, fundou em 1975 a Federação das Cooperativas de Produção. Achavam eles (e eu também, porque estava junto) que era uma grande palhaçada o que uma certa ESQUERDA apregoava:

 – Greve contra a fuga dos patrões para o Brasil e para Espanha!

 

Um controleiro chegou mesmo a avisar-nos:

     – Primeiro toma-se o poder político e só depois é que se toma o poder económico. Percebem?

– E se for ao contrário, ó camarada?

– Se for ao contrário, pode haver graves desvios da linha justa.

        Achámos que o mais correto seria incentivar os operários a tomarem conta dos meios de produção abandonados pós 25 de Abril. A ideia vinga e os trabalhadores de umas cinquenta pequenas e médias indústrias aceitam a proposta e assim nasce a Federação das Cooperativas de Produção.

 A tal ESQUERDA logo trata de afundar a Federação, infiltrações. Porém, passado pouco tempo, encalha e começa a meter água. Desvio da linha justa? Também ela? Óbvio, ceguinhos a jogar bilhar… 


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