Na Vila Sousa, no Largo da Graça, em Lisboa, um grupo de obstinados, liderados pelo Tomás de Figueiredo, fundou em 1975 a Federação dasCooperativas de Produção. Achavam eles (e eu também, porque estava junto) que era uma grande palhaçada o que uma certa ESQUERDA apregoava:
– Greve contra a fuga dos patrões para o Brasil e para Espanha!
Um controleiro chegou mesmo a avisar-nos:
– Primeiro toma-se o poder político e só depois é que se toma o poder económico. Percebem?
– E se for ao contrário, ó camarada?
– Se for ao contrário, pode haver graves desvios da linha justa.
Achámos que o mais correto seria incentivar os operários a tomarem conta dos meios de produção abandonados pós 25 de Abril. A ideia vinga e os trabalhadores de umas cinquenta pequenas e médias indústrias aceitam a proposta e assim nasce a Federação das Cooperativas de Produção.
A tal ESQUERDA logo trata de afundar a Federação, infiltrações. Porém, passado pouco tempo, encalha e começa a meter água. Desvio da linha justa? Também ela? Óbvio, ceguinhos a jogar bilhar…