Sabemos que só uma parte dos casos de violência doméstica chega ao conhecimento das forças policiais. Por medo das consequências, por descrédito na justiça.No entanto, já muitos dos casos são denunciados não pelas vítimas mas por pessoas próximas que a isso se sentem obrigadas. O Ditado “entre marido e mulher não metas a colher” já era, quando há violência e sobretudo quando há crianças a assistir.
Retiramos alguns dados do Relatório anual de monitorização relativo a 2011, do Ministério da Administração Interna, sobre Violência Doméstica, publicado em Julho 2012.
Em 2011 foram registadas pelas Forças de Segurança 28980 participações de violência doméstica, 11485 pela GNR (39,6%) e 17495 pela PSP (60,4%), o que correspondeu a uma diminuição de 7,2% relativamente a 2010. Os distritos onde se registaram mais participações foram: Lisboa (6741), Porto (6039), Setúbal (2282), Aveiro (1795) e Braga (1698). Em termos gerais, a tipologia das situações de violência doméstica participadas às Forças de Segurança apresenta um padrão consistente nos últimos 5 anos;
O mês em que se registaram mais queixas foi o de Agosto, sendo também este o mês em que se verificaram mais ocorrências, facto que já vem ocorrendo há dois anos. E é à 2ª feira (17%) que se fazem mais queixas, relativas a uma maior proporção de ocorrências ao fim de semana (34%), no período da noite ou de madrugada (55%), e em 74% no próprio dia em que ocorreram ou no dia seguinte.
Em 54% dos casos a queixa foi efectuada presencialmente, em 25% foi realizada no âmbito de ações de policiamento de proximidade e em 15% foi por telefone. A intervenção policial ocorreu geralmente motivada por um pedido da vítima (78%) e em mais de 10% dos casos foram familiares/vizinhos ou denúncia anónima. Em 40% dos casos registados pela GNR existia(m) ocorrência(s) anterior(es), reportada(s) ou não às FS; das situações registadas pela PSP, em 22% existia(m) ocorrência(s) anterior(es) formalizada(s) através de uma outra queixa;
Geralmente as situações tiveram como consequências para a vítima ferimentos ligeiros (48%) ou ausência de lesões físicas (51%); sendo no entanto de referir que em cerca de 1% dos casos os ferimentos resultantes foram graves. Geralmente as vítimas não foram internadas no hospital nem tiveram baixa médica.
Em 42% dos casos as ocorrências foram presenciadas por menores. A violência física esteve presente em 73% das situações, a psicológica em 78%, a sexual em 2%, a económica em 7% e a social em 8,5%.

