EM VIAGEM PELA TURQUIA – 54 – por António Gomes Marques

(Continuação)

A viagem aproximava-se do fim e perder esta segunda oportunidade para visitar o Palácio de Topkapı seria imperdoável; felizmente, tal visita fazia parte do programa.

Aproximámo-nos do Palácio por uma rua estreita, Soğukçeşme Sokağı, com lindas casas tradicionais de madeira pintadas, bem conservadas graças ao turismo, funcionando algumas delas como casas de hóspedes, encostadas às muralhas do Palácio.

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Casas de madeira na Soğukçeşme Sokağı (rua da fonte fria)

Eram as casas típicas de Istambul no século XIX, de um ou dois andares, com uma secção, çıkma, que se projecta sobre a rua, muitas delas desaparecidas devido aos muitos incêndios que sofreu a cidade ao longo da sua história. As persianas de madeira dos andares permitiam que as mulheres vissem a rua e o que ali se passasse sem serem vistas.

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Entrada do Palácio Topkapı

O palácio foi construído entre 1459 e 1465, ou seja, após a conquista de Constantinopla, por decisão de Mehmet II, para sua residência principal. Desde 1924 que é um museu, onde pode ser vista uma parte das riquezas dos Otomanos.

A sua localização é excelente, situando-se na zona do chamado Cabo do Serralho, com um acesso estratégico quer à Europa quer à Anatólia, as duas partes de Istambul. Talvez devido a esta localização o palácio se chame Topkapı, ou seja, a porta do canhão.

Trata-se de um complexo de edifícios de estilos diferentes, dado ser hoje o resultado de alargamentos mandados fazer por diversos sultões, pois a dinastia otomana fez deste palácio a sua residência principal por cerca de 400 anos, mais precisamente até 1853, quando o sultão Abdül Mecid I se mudou para o Palácio de Dolmabahçe. O complexo do Palácio está rodeado por uma muralha bizantina, ocupando uma área de 700.000 m².

Entrámos por um portão em ogiva, ladeado por duas torres com telhado cónico, que nos deu acesso ao Pátio dos Alabardeiros, onde estão os seus antigos dormitórios e hoje os carros imperiais em exposição. Podemos também apreciar as antigas cozinhas e os belos jardins, ricos, nomeadamente, em tulipas. Ainda neste primeiro pátio pudemos ver o edifício da antiga Casa da Moeda Imperial, de 1727, depois ampliado no reinado de Mahmut II (1808-39), onde agora funcionam laboratórios de restauro e conservação do Estado, e, ainda, a Igreja Bizantina de Irene (Haghia Eirene), do século VI, que era um dos mais antigos locais de devoção cristã de Constantinopla, que foi incorporada no Palácio de Topkapı mas nunca transformada em mesquita, hoje utilizada, tendo em conta as suas óptimas condições acústicas, no Festival de Música de Istambul, onde a atracção principal é a representação do «Rapto do Serralho», de Mozart, e onde podem apreciar-se exposições sobre a história de Istambul.

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Aposentos do sultão

Atinge-se depois um segundo pátio, onde está localizado, do lado esquerdo após a entrada, o harém, com centenas de quartos, com corredores estreitos e salões ricamente decorados, onde viviam as concubinas do sultão. «O quarto, (…), tinha camas de ferro e, nas paredes, várias filas de ganchos em que as raparigas penduravam as suas roupas e os sacos contendo os sabonetes perfumados de que tanto gostavam, uns quantos xailes e pantufas, algumas faixas de pano impecavelmente limpas, e as braceletes e outras jóias que possuíam. As companheiras das jovens eram apenas cariyeler, ou seja, criadas do harém. Ainda não tinham acedido à categoria de gözde, ou concubinas, mas é claro que nutriam essa esperança.» (in Jason Goodwin, o. c., pág. 67). A mãe do sultão era a mulher mais poderosa do Harém, assim como as filhas deste; as outras mulheres do Harém eram escravas e, entre concubinas e criadas, chegaram a ser mais de mil. Evidentemente, os seus quartos eram bem diferentes dos aposentos do sultão.

O acesso ao terceiro pátio faz-se pela Porta da Felicidade, onde se situa a que foi a Sala de Audiência, na qual os sultões recebiam os embaixadores acreditados. À direita deste edifício, pudemos ver não só trajes imperiais mas também a riquíssima colecção de parte do tesouro, objectos preciosos, qualquer deles a valer uma fortuna, distribuídos por cinco salas abobadadas.

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Predominam os objectos de ouro, como tronos, xícaras, talheres e até um berço, cuja imagem retemos, um enormíssimo diamante, o Kasikçi, com 86 quilates e 40 brilhantes embutidos ao que parece, o objecto mais valioso do tesour, assim como jóias cravejadas em pedras preciosas; objectos de prata e de cerâmica.

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in «fuievolteipracontar.blogspot.com»

(Continua)

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