RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

IMAGENS DA EUROPA – III

Selecção de imagens e texto de Júlio Marques Mota

Europa - II

 

A racionalidade dos crimes económicos

A economia do crime poderia apoiar esta ideia. Muitos agentes económicos  nas sua praticas ilegais  utilizam um quadro conceptual estabelecido por Gary Becker, da Universidade de Chicago, prémio Nobel da economia.

A ideia é a de que os criminosos racionalmente ponderam  os custos e benefícios esperados  quando com as suas práticas  não respeitam as leis. Se a probabilidade de ser apanhado ou  do nível de multa for  muito baixo, os custos esperados podem ser mais que compensados pelos lucros gerados .

Neste caso, o crime compensa e o crime pode ser uma atitude racional. A mesma lógica também se aplica ainda mais  às  acções legalmente de menor relevo, razão pela qual o Senhor Becker pode em dado  momento  escolher  comprar ou não comprar um bilhete de estacionamento do seu automóvel , como ele se explica numa  entrevista de 2006 com Tim Harford.

A noção de crime racional pode ser utilizada para avaliar se as multas são  estabelecidas a níveis sensíveis . Um regra de chumbo dos economistas sobre  as leis antitrust da economia é de que os cartéis podem conseguir introduzir custos adicionais de  20-30%.

Mas as agências que são encarregadas da vigilância sobre os cartéis  aplicam  multas que vão  desde entre 10 e os 40% (as autoridades inglesas  de controlo dos cartéis aplicam multas  na linha do valor mais baixo da escala enquanto que na América as autoridades são   bem mas  duras ).

Os cálculos   do senhor Becker sobre as práticas criminosas  mostram  exactamente  esta lógica: com uma taxa de detecção de 50% e multas que variam entre 10-40%, o custo esperado para o crime do  cartel está  situado na faixa de 5-20%, ou seja de 0,5 [10%,40%] .

Utilizando-se uma taxa de 10% quanto à  detecção do crime realizado e sendo  a  punição esperada  situada no intervalo de  1-4%, os custos esperados  são claramente ultrapassados pelos lucros. Actualmente  e ao que parece, alguns crimes das grandes empresas  são generosamente remuneradores, compensadores.

Seja-se então racional, seja-se então criminoso, palavra de ordem que parece ser a referência para os neoliberais. Porque o consentimos , o resultado é o que está à vista e se acrescermos a tese de que não há melhor regulador nos mercados que os grandes operadores, os operadores sofisticados como se diz na gíria financeira,  melhor se percebe ainda que ser criminoso se torna altamente rentável e racional, ainda por cima !

Leia-se mais em:

 http://www.businessinsider.com/economist.online.21559526.xml#ixzz21vW00zMZ

E com a ternura de quem se sente solidário, boa leitura e uma raiva pelo menos igual à minha.

Júlio Marques Mota

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