COMO REAGE A CRIANÇA QUANDO ASSISTE A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA? por clara castilho

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Conheci a D. há pouco tempo. Muito rapidamente começou a chorar à minha frente, a pensar na sua vida que corria com muitas dificuldades. Ao fim de poucos dias fui sabendo pormenores. Para aqui, o que interessa é que os seus dois filhos, para fugirem ao mau ambiente em casa, se fecham no quarto, tentando passar despercebidos. O mais velho já teve acompanhamento psicológico, depois de apresentar vários sintomas preocupantes. Na escola vai andando, e diz à mãe, como que a querer compensá-la das más vivências: “Vais ver, por ti eu vou ser bom aluno!”.

Aqui em Portugal, os dados foram divulgados no Relatório Anual de Monitorização de ocorrências participadas às forças de segurança da responsabilidade do Ministério da Administração Interna, a que já aqui fizemos referência (no dia….de Novembro de 2012), constatam que no ano passado foram denunciados 28.980 casos de violência doméstica (um decréscimo de 7,2% relativamente a 2010), sendo que em 12.171 (42%) os maus tratos conjugais foram presenciados pelos menores.

Cabe aqui perguntar quais as consequências do assistir a actos de violência praticado por um progenitor sobre outro. Há-os, de certeza, não só a curto mas também a longo prazo. Para além disso, não é só ver, o “apenas” ouvir pode ter impacto igualmente negativo.

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O relatório “Five Years On: a global update on violence against children” é produzido pelo Conselho Consultivo de ONG’s (Organizações Não Governamentais) de Acompanhamento do Estudo sobre a Violência contra as Crianças das Nações Unidas. Nele se pode ler:

· entre 37 países, em média 86% das crianças entre os 2 e os 14 anos experienciaram violência psicológica nas suas casas mensalmente;

· 78 países ainda autorizam a punição corporal por parte de professoras/es;

· em alguns países mais de 97% das/os estudantes foram agredidas/os na escola;

· crianças portadoras de deficiência têm quatro a cinco vezes mais probabilidade de experienciar violência e abuso sexual do que crianças não portadoras.

Pode ser consultado em: http://www.crin.org/docs/Five_Years_On.pdf

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Como conclusão, o Relatório evidencia o facto de se ter contado também com testemunhos das próprias crianças e que estes demonstram claramente que e urgente actuar. Chama a atenção para o facto de que as medidas de austeridade tomadas em virtude das dificuldades económicas poderem levar a que se gastem menos verbas neste tipo de intervenção contra a violência. Olhar a longo prazo para as suas consequências nas crianças ainda é difícil. Reconhecem progressos em certas áreas, mas foram ainda lentos e estão longe do que se pretende alcançar. Muitas conferências e estudos foram levados a cabo por todo o mundo mas muitos milhões de crianças ainda fazem face a várias formas de violência- em casa, na escola, na comunidade, no local de trabalho, nas instituições, na luta armada… Concluem:

“Nenhuma violência contra as crianças é justificável e toda a violência contra as crianças pode ser prevenida”

 

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