LEI ÁUREA – por Fernando Correia da Silva

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No Brasil, nos princípios de 1888 o Imperador D. Pedro II viaja até à Europa; a Princesa Isabel, sua filha, assume a Regência.  

No Rio, a polícia reprime com violência vários comícios dos abolicionistas. Angustiada com as atrocidades cometidas, a Princesa força o Governo de Cotegipe a demitir-se. A 7 de Março convida João Alfredo Corrêa de Oliveira a formar novo Governo. Ferreira Viana, o recém empossado ministro da Justiça, aceita reunir-se com líderes abolicionistas. Informa-os que a intenção do novo Gabinete é extinguir a escravidão sem qualquer indemnização aos escravocratas. Entusiasmo, aplausos, correm lágrimas pelo rosto de Patrocínio.  

A sessão parlamentar começa a 3 de Maio. Das janelas do Senado, Rui Barbosa, Rodolfo Dantas e José do Patrocínio discursam para a multidão que enche as ruas.  

No dia 4 de Maio a Princesa convida 14 negros fugidos para almoçarem com a família imperial.  

No dia 8 é apresentado no Parlamento o projecto final da Abolição. Resistência feroz dos parlamentares escravistas.  

No dia 13 a oposição dos escravistas é vencida e a Lei Áurea (assim lhe chamam) é aprovada. Grande agitação na Capital. A Princesa vem de Petrópolis para assinar a Lei. No Paço, chuva de rosas que ela vai pisando lentamente. Começa a ser lido o texto:  

– A princesa imperial regente em nome de Sua Majestade o imperador, o senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súbditos do Império que a Assembleia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte:

        Art. 1°: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.

        Art. 2°: Revogam-se as disposições em contrário.

        Etc.

 A Princesa assina a lei, gritos e vivas da multidão que enche as galerias. José do Patrocínio irrompe, ninguém consegue deter aquele mulato impetuoso. Atira-se aos pés da Princesa, beija-lhe as mãos, declama:  

– Minha alma sobe de joelhos nestes Paços.

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