RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

A verdadeira crise da zona euro é muito mais do que a crise da dívida

Matthew Boesler

(CONTINUAÇÃO)

The REAL Eurozone Crisis Is About Much More Than Debt

24/26

Draghi desconsiderou essa acusação ao explicar como, é claro, o movimento mais recente do BCE é justificado e necessário.

maisdoqueeuro - XXIV

Mario Draghi responding to Silvia Wadhwa
ECB

Draghi respondeu a Wadhwa:

O segundo ponto é realmente…Eu acho que é apenas  outra maneira de andar às voltas. Eu penso ter dito alguma coisa acerca da última vez  que tivemos esta conferência de imprensa. Nós começámos a pensar  – quando as OMT foram  concebidas,  nós tivémos a percepção e a confirmação  de que havia riscos de  cauda na área; principalmente,  que houve um  mau equilíbrio  para certos países em determinados mercados.

Isso significa que as expectativas seriam  auto-realizadoras  e criariam, no final, cenários de disfuncionamento .

Assim, é este o caso para o decisor em política económica, que neste caso é o BCE, acabar com estes disfuncionamentos aplicando este programa.

Mas, ao mesmo tempo, devemos começar por não poder esquecer como é que esses países entraram numa situação de um mau  equilíbrio para começar com. Ou seja, as políticas más – ou em alguns casos, a ausência de quaisquer políticas durante um longo período de tempo, enquanto o resto do mundo estaria a  mudar completamente.

Assim, a primeira conclusão foi a de que qualquer política monetária não teria nenhum efeito se as outras políticas  não mudassem . É por isso que a condicionalidade é tão importante.

Na verdade –  tal  como eu disse no início -o que faz com que a política monetária seja eficaz é o que protege a independência do BCE.

Assim,  isto não é realmente – eu não o faria, aceitar  o exemplo, o exemplo que você apresentou , eu acho que isto é,  realmente, uma  parte integrante disto. A  segunda questão , bem ,  esta foi a segunda pergunta, na verdade. Obrigado.

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The REAL Eurozone Crisis Is About Much More Than Debt

25/26

O tempo dirá se os princípios democráticos  podem  ou não permanecer resilientes em face da integração

maisdoqueeuro - XXV

Robert Menasse

flickr / crossingeurope

O escritor austríaco Robert Menasse conclui que a democracia pode não ser afinal a resposta para a Europa:

A crise actual e a forma como esta está a ser abordada têm a ver com o último tabu das democracias, um tabu sobre o qual as próprias democracias se julgam esclarecidas. Este tabu é a própria democracia… Será que a democracia, tal como laboriosa e inadequadamente a apreendemos desde 1945 e a que nos habituámos, não funcione, pura e simplesmente, a nível supranacional? Este é o problema para o qual procuramos, cada vez mais desamparados, encontrar uma resposta, uma solução?

É um facto que todos os Estados que se uniram na UE são democráticos, mas também é um facto que neste processo de integração supranacional perderam conquistas democráticas que tinham sido conseguidas a nível nacional, se é que na verdade não as têm deliberadamente entregado… O Tratado de Lisboa, trouxe algumas, poucas, melhorias em comparação com o Tratado de Maastricht, mas os passos retrógrados e os défices democráticos não foram removidos, muito longe disso, e, na verdade, alguns foram praticamente gravados na pedra.

Este poderia ser o ponto em que talvez se pudesse estar preparado para assumir que se teria atingido um progresso marcante, ou até mesmo uma libertação, já que as condições básicas da nossa vida teriam deixado de ser decididas por voto popular…E aqui, ao observar de perto o processo de construção da UE e os seus métodos de trabalho, ocorreu-me a ideia de que a democracia clássica, um modelo que foi desenvolvido no século XIX para a organização racional das nações, pode não ser aplicado, pura e simplesmente, a uma união supranacional e talvez seja até disso impedida.

Matthew Boesler,  |. The REAL Eurozone Crisis Is About Much More Than Debt, Business Insider, 20 de Outubro de 2012.

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