REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

A política da mentira, a única verdade que se reconhece na União Europeia

Por Júlio Marques Mota

PARTE II
(conclusão)

Para o mesmo quadro, a desindustrialização, duas visões do mundo, a acomodada à globalização, a dos nossos ministros europeus, e a dos americanos, em que claramente, se for necessário guerra comercial então que seja feita e em que se deve lutar para a vencer. Simples, mais uma vez simples, muito simples mesmo.

Mas o exemplo bem recente dos isqueiros BIC diz-nos bem até onde irão estes nossos ministros no quadro da visão neoliberal que está subjacente a todo o drama que dilacera esta nossa Europa e que pela crise é responsável, visão esta bem sintetizada na ideia que nos dá o ministro da renovação industrial de França com a sua fotografia abaixo. Percebe-se bem a visão da reindustrialização da Europa por estes ministros desejada.

reindustrialização - I

Uma boa T-shirt de luxo, um relógio a fingir ser francês e uma peça Moulinex, de tecnologia banalizada.

O nosso ministro Álvaro numa entrevista ao José Gomes Ferreira da SIC foi praticamente igual a este mesmo exemplar, mesmo que nem de longe nem de perto tenha o mesmo nível. Basicamente, compre português, olhe para o selo que o produto irá ter, seja nacionalista, e então, porque não, compre produto nacional. E o resto da entrevista  foi pura indigência intelectual. E o caricato da situação presente é que coloca ao mesmo nível dois homens, Álvaro Santos Pereira e o ministro da Renovação Industrial em França, Arnaud Montebourg, quando um neoliberal puro, o nosso ministro, não tem nada a ver com o segundo de raiz profundamente socialista e apanhado nas malhas de um governo francês que se está a submeter às regras estabelecidas por Merkel e que, de resto, já ameaçou demitir-se do governo de François Hollande. Lamentável o plano em que ambos aparecem em conjunto.

Face a este enorme trabalho de Hércules que seria o de reindustrializar a Europa mas no quadro da economia globalizada, o que é, francamente uma impossibilidade lógica, para o qual a União Europeia mostra uma incapacidade total, olhemos para uma questão bem simples e de solução claramente viável se houvesse vontade política para o efeito, olhemos para a (des) harmonização fiscal no espaço comunitário. E se aqui nada é feito, como podemos quer esperar que com estes ministros, com esta Comissão Europeia, com este quadro institucional bem expresso pelo que se chama agora o Pacto Fiscal, alguma indústria nova venha a surgir desse processo de re-industrialização e com a Europa a ser esmagada no quadro da globalização e dos acordos estabelecidos ao nível da OMC? Talvez a indústria dos pastéis de nata, não?

Vejamos  então a (des) harmonização fiscal na União Europeia.

reindustrialização - II

A Europa do dumping fiscal

Se Gerard Depardieu se pode exilar fiscalmente na Bélgica é porque a Europa harmonizou muitíssimo mal as suas regras fiscais sobre a poupança dos mais ricos. Daí uma concorrência fiscal entre Estados em que cada um deles procurar  atrair os ricos.  Ainda agora, o melhor exemplo é da Inglaterra que no momento em que aumenta os impostos para  as classes sociais menos abastadas ,já fiscalmente sobrecarregadas, diminui os impostos para os mais ricos, com o argumento de que a descida de 5 pontos percentuais é marginal!  De tudo isto uma imagem que vale por muitas páginas de texto.

reindustrialização - III

E, hoje, ficamos por aqui. Mas prometemos voltar ao assunto da reindustrialização da Europa.

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