Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Jacques Delors na Assembleia Nacional esta manhã (Não há pior cego que aquele que não quer ver)
Nicolas Dupont-Aignan
Esta manhã, participei na Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia Nacional que recebia Jacques Delors.
É necessário ouvir a sua exposição introdutória assim como as respostas de Jacques Delors às perguntas dos parlamentares para compreender o afundamento intelectual e moral da União Europeia.
| A audição está em :Assemblée Nationale , Où va la construction européenne ? Audition de Jacques Delors, disponível em :
http://www.assemblee-nationale.tv/chaines.html?media=3738&synchro=0&dossier=12 e vale a pena ouvir a apresentação de Jacques Delors assim como as suas respostas aos deputados. |
Jacques Delors também não quis responder à minha pergunta concreta sobre o futuro do euro e envolveu-se numa caricatura da minha posição que traiu uma falta de argumentos.
Na verdade, o antigo presidente da Comissão Europeia não deixou de se queixar relativamente à União Europeia! Ele reconheceu que o euro fazia com que as economias tivessem dinâmicas divergentes . Ele denunciou as reformas estruturais pedidas pela Comissão Europeia em Bruxelas. Ele criticou o abandono do mundo rural. Ele lamentou a ausência de política industrial…
Mas, como sempre, Delors esteve prisioneiro de um sistema ideológico e com um tipo de fé infantil na Europa com um grande E, e recusou-se a ver que este é exactamente um sistema supranacional politicamente irresponsável porque não-democráticos que ele ajudou a criar e que é agora o responsável pelas derivas dos dias de hoje .
Jacques Delors lamentou, por exemplo, a fraqueza da Europa e da França nas negociações comerciais internacionais, mas foi ele que defendeu o Tratado de Lisboa, que suprime o direito de veto da França no processo de decisão.
Eu poderia multiplicar os exemplos desta teimosa recusa em ver as causas do fenómeno que denuncia.
As questões dos parlamentares socialistas mostraram o mal-estar desta bancada. Aqui também e face à dura realidade dos factos, a maioria deles também se fechava numa espécie de crença beata numa Europa mítica, considerada a avançar para um paraíso utópico.
Quando eu coloquei a minha questão sobre a necessidade de uma reorientação, aberta e voluntarista, para uma Europa das Nações, a única capaz de levar a cabo projectos industriais e científicos à imagem de Airbus, Jacques Delors, que compreendeu muito bem onde eu queria chegar, apenas soube lidar com a caricatura da questão ao querer-me reenviar para a Europa do Tratado de Vestfália, que leva “às guerras”.
Por falta de argumentos os europeístas beatos só tem as seguintes palavras nos lábios: guerra e nacionalismo, como se a Europa não tivesse mudado desde 1945!
Assim, eles recusam-se a ver que a construção de uma Europa sem os pés assentes na terra, ao sabor de políticas económicas e sociais verdadeiramente suicidas, é que é, ao contrário, a verdadeira causa do ressurgimento dos extremismos.
Como sempre a velha Democracia-Cristâ confunde a nação e o nacionalismo.
Na verdade, Jacques Delors meteu-me pena hoje porque a sua lucidez sobre a evolução da Europa é real, mas a sua fé “europeísta” impede todo e qualquer questionamento assim como toda e qualquer reflexão sobre uma nova Europa que, desta vez, iria funcionar, que desta vez, iria marchar.

