REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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Jacques Delors  na Assembleia Nacional esta manhã  (Não há pior cego que aquele que não quer ver)

Nicolas Dupont-Aignan

Esta manhã, participei na Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia Nacional que  recebia Jacques Delors.

É necessário ouvir a sua  exposição introdutória  assim como as respostas  de Jacques Delors às  perguntas dos  parlamentares para compreender o afundamento intelectual  e moral  da União Europeia.

A audição está em :Assemblée Nationale ,  Où va la construction européenne ? Audition de Jacques Delors, disponível em :

http://www.assemblee-nationale.tv/chaines.html?media=3738&synchro=0&dossier=12

e vale a pena ouvir a apresentação de Jacques Delors  assim como as suas respostas  aos deputados.

Jacques Delors também não  quis  responder à minha pergunta concreta sobre o futuro do euro e envolveu-se numa caricatura da minha posição que traiu uma  falta de argumentos.

Na verdade, o antigo  presidente da Comissão Europeia   não deixou de se queixar  relativamente à União  Europeia! Ele reconheceu que o euro fazia com que as economias tivessem dinâmicas divergentes . Ele denunciou as reformas estruturais  pedidas  pela Comissão Europeia  em Bruxelas. Ele criticou o abandono do mundo rural. Ele lamentou a ausência de política industrial…

Mas, como sempre, Delors esteve prisioneiro de um sistema ideológico e com  um tipo de fé infantil na Europa com um grande E,  e recusou-se  a ver que este é exactamente  um  sistema supranacional politicamente  irresponsável   porque não-democráticos que ele ajudou a criar  e  que é agora   o responsável pelas derivas  dos dias de hoje .

Jacques Delors lamentou, por exemplo,  a fraqueza da Europa e da França nas negociações comerciais internacionais, mas foi ele que defendeu  o Tratado de Lisboa, que suprime  o direito de veto da França no processo de decisão.

Eu poderia multiplicar os exemplos desta teimosa recusa em ver as causas do fenómeno que denuncia.

As questões dos parlamentares socialistas mostraram o mal-estar desta bancada. Aqui também  e face à  dura realidade dos factos, a maioria deles  também se fechava numa espécie de crença beata  numa Europa mítica, considerada a avançar para um paraíso utópico.

Quando eu coloquei a minha questão sobre a necessidade de uma reorientação, aberta e voluntarista,   para uma Europa das Nações, a única capaz  de levar a cabo projectos industriais  e científicos à imagem  de  Airbus, Jacques Delors, que compreendeu muito bem onde eu queria chegar,   apenas soube lidar   com a  caricatura da questão  ao querer-me reenviar para a  Europa do Tratado de Vestfália, que leva “às  guerras”.

Por falta de argumentos   os  europeístas  beatos só tem as seguintes palavras nos lábios:  guerra e  nacionalismo, como se a Europa não tivesse  mudado desde 1945!

Assim, eles  recusam-se a  ver que a construção de uma Europa sem os pés assentes na terra,  ao sabor de  políticas económicas e sociais verdadeiramente suicidas,  é que é,  ao contrário, a verdadeira causa do ressurgimento dos extremismos.

Como sempre a velha Democracia-Cristâ   confunde  a nação e o nacionalismo.

Na verdade, Jacques Delors meteu-me pena hoje porque a sua lucidez  sobre a evolução da Europa é real, mas a sua fé “europeísta”  impede todo e qualquer questionamento  assim como toda e qualquer reflexão  sobre uma nova Europa  que, desta vez, iria  funcionar, que desta vez, iria marchar.

Disponível em:  http://blog.nicolasdupontaignan.fr/post/Il-n’est-pire-aveugle-que-celui-qui-ne-veut-pas-voir?

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