Pentacórdio para Quarta 2 de Janeiro de 2013

por Rui Oliveira

 

 

 

historia_cinemateca02   Nenhum evento em particular assinala esta Quarta-feira, 2 de Janeiro, do nosso conhecimento, a não ser o arranque da programação anual da Cinemateca Portuguesa a qual, “… (n)um momento de drástica redução de recursos para toda a Cinemateca, e portanto acima de tudo para a Cinemateca enquanto arquivo, sabendo a que ponto isso tem consequências desde o nível mais básico da sobrevivência do património, (decidiu)  voltar o facto do avesso e, por uma vez, dar a ver o arquivo.

2205648_300   Em termos de programação, o “Foco no Arquivo” traduz-se num longo Ciclo de projecções, estruturado em dois grandes eixos. “A Coleção / As Coleções” propõe um olhar sobre a colecção da Cinemateca, fazendo desta colecção um tema específico de programação e reflexão sobre a actividade de programação. “O Nosso Século XX” percorre o cinema do século XX português, salientando o vínculo entre os filmes e a História do país, entre cada filme e o momento histórico em que foi produzido, para tornar evidente como este cinema – que a Cinemateca tem a missão de salvaguardar – é também, e porventura principalmente, uma poderosíssima testemunha da nossa História colectiva.

   E concluem : “Estes dois grandes eixos encontram-se, na mesma preocupação, no mesmo “foco”: pois se com eles fazemos do património um assunto de programação, com eles dizemos que também a programação é um assunto de património”.

 

   Neste 1º dia, os filmes escolhidos são :

manoeldeoliveira− às 15h30, na Sala Dr. Félix Ribeiro, Non ou a Vã Glória de Mandar de Manoel de Oliveira (foto)(Portugal, 1990) com Luís Miguel Cintra, Diogo Dória, Miguel Guilherme, Luís Lucas, Carlos Gomes, António Sequeira Lopes.

− às 19h00, na Sala Dr. Félix Ribeiro, Black Narcissus (Quando os Sinos Dobram) de Michael Powell, Emeric Pressburger (Reino Unido, 1946) com Deborah Kerr, Sabu, Jean Simmons, Flora Robson.

− às 19h30, na Sala Luís de Pina, Programa de Curtas-Metragens – O Nosso Século XX / Até à República I, uma hora de pequenos registos fílmicos desde “A Família Real, entre 1902-1903” de Júlio Worm (Portugal, 1942) até “Rivoluzione in Portogallo”  (Itália, 1910) e “The Revolution in Portugal” (Reino Unido, 1910)

fantome-d-henri-langlois01-g− às 22h00, na Sala Luís de Pina, Langlois de Eila Hershon, Roberto Guerra (Estados Unidos, 1970) com Henri Langlois (foto), Lilian Gish, Ingrid Bergman, Simone Signoret, Viva – um retrato do mítico fundador da Cinemateca Francesa, que foi talvez o inventor do ofício de programador de filmes e sem dúvida a personalidade mais influente do mundo das cinematecas (amada por uns, odiada por outros) através dos testemunhos de Langlois e de diversas personalidades e com alguns excertos de filmes.

   Recuperamos aqui uma entrevista sua e outra de Jean Renoir (grande cineasta francês) no filme “Lumière” de Eric Rohmer :

 

   A Cinemateca justifica a escolha do filme de Manoel de Oliveira como abertura por ser “… a História de Portugal vista à luz das suas derrotas, contada pelo Alferes Cabrita aos homens da sua companhia em plena guerra colonial. Ou um filme sobre militares em guerra que evocam momentos de história, e que termina com a morte do Alferes Cabrita no dia 25 de abril de 1974.” Trata-se de um filme essencial sobre os “Non” da História de Portugal (sendo NON palavra buscada ao Padre António Vieira, que a chamava “terrível palavra”).

   Foi “Prémio Especial do Júri” em Cannes e este é o seu excerto relativo à batalha de Alcácer Quibir :

 

   É possível ver o filme integral  (agradecendo ao YouTube, embora seja aconselhável vê-lo em sala) clicando em  http://youtu.be/rseUK79x-vs .    

 

 

 

alguem_disse,_de_maria_beatriz   Mudando de tema e retomando a divulgação de exposições válidas cujo encerramento se aproxima, lembramos que está até 11 de Janeiro na Galeria Ratton (Rua da Academia das Ciências, nº 2 C), muito vocacionada para a arte azulejar, a mostra de trabalhos “Alguém disse” de Maria Beatriz, a quem foi pedido que fizesse uma selecção de azulejos dos artistas Bartolomeu Cid dos Santos, João Vieira, Júlio Pomar, Lourdes Castro, Menez e Paula Rego que participaram na primeira exposição de 1987, prestando-lhes desta forma homenagem e agradecimento. Junta-se-lhe um azulejo recente que mostra mais uma das inúmeras meninas que são como um alter ego da artista “de corpo inteiro, feliz e a saltar à corda”.

   Reproduzimos a apreciação do crítico J.L.Porfírio : “… o corpo da menina que salta não tem medo, porque a menina ainda o desconhece, mas também porque Maria Beatriz emigrou, procurou a liberdade, combateu o medo. Na sua simplicidade, como na sua força, esta exposição é exemplar para os dias que correm …”.                  

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui)

 

 

 

 

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