POESIA AO AMANHECER – 107 – por Manuel Simões

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AFONSO X

            (Toledo 1221 –Sevilha 1284)

Ai eu, coitada, como vivo em gram cuidado

por meu amigo que ei alongado!

Muito me tarda

o meu amigo na Guarda!

Ai eu, coitada, como vivo em gram desejo

por meu amigo que tarda e não vejo!

Muito me tarda

o meu amigo na Guarda!

Esta cantiga de amigo andou sempre atribuída a D. Sancho I de Portugal mas, segundo as últimas investigações, deve atribuir-se a Afonso X, o Sábio, rei de Castela e Leão. Aceitando esta hipótese, “guarda” deve entender-se não como topónimo mas como “serviço de guarda”, “estar de guarda”.

Manuel Alberto Valente fez uma glosa desta cantiga , transformando praticamente só o refrão:

Ai eu coitada

Como vivo em grande medo

por meu amigo

que levaram cedo!

Que dura sorte

o meu amigo no forte!

Ai eu coitada!

Como vivo em grande anseio

por meu amigo

que ainda não veio!

Que dura sorte

o meu amigo no forte!

(“Poemas Livres 3”, 1968)

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