“NO PAÍS ONDE OS HOMENS SÃO SÓ ATÉ AO JOELHO E O JOELHO QUE BOM ESTÁ TÃO BARATO”- MÁRIO CESARINY por clara castilho clara castilho2 de Janeiro de 20131 de Janeiro de 2013Literatura Navegação de artigos PreviousNext Ando mesmo de mau humor! Hoje apetece-me relembrar um poema de Mário Cesariny, de 1923: No país no país no país onde os homens são só até ao joelho e o joelho que bom é só até à ilharga conto os meus dias tangerinas brancas e vejo a noite Cadillac obsceno a rondar os meus dias tangerinas brancas para um passeio na estrada Cadillac obsceno e no país no país e no país onde as lindas raparigas são só até ao pescoço e o pescoço que bom é só até ao artelho ao passo que o artelho, de proporções mais nobres, chega a atingir o cérebro e as flores da cabeça, recordo os meus amores liames indestrutíveis e vejo uma panóplia cidadã do mundo a dormir nos meus braços liames indestrutíveis para que eu escreva com ela, só atá à ilharga, a grande história do amor só até ao pescoço e no país no país que engraçado no país onde o poeta o poeta é só até à plume e a plume que bom é só até ao fantasma ao passo que o fantasma – ora aí está – não é outro senão a divina criança (prometida) uso os meus olhos grandes bons e abertos e vejo a noite (on ne passe pas) diz que grandeza de alma. Honestos porque. Calafetagem por motivo de obras. É relativamente queda de água e já agora há muito não é doutra maneira no país onde os homens são só até ao joelho e o joelho que bom está tão barato Foi publicado na Antologia de Poesia Surrealista Portuguesa, pela Assírio e Alvim. Share this: Share on Facebook (Opens in new window) Facebook Share on X (Opens in new window) X Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp Email a link to a friend (Opens in new window) Email More Print (Opens in new window) Print Like this:Like Loading...