EDITORIAL: AFINAL PORTUGAL É RENTÁVEL… E OS PORTUGUESES TAMBÉM.

Diário de Bordo - II

Os nossos líderes (serão nossos enquanto os não conseguirmos pôr fora) justificam as medidas com que nos andam a massacrar,  com uma conversa (alguns diriam com uma retórica, mas eles não merecem que se fale tão caro)  que se resume assim: temos andado a gastar muito e a produzir pouco. Por isso estamos endividados. Mas entretanto continuamos a ver por aí uns senhores a viver cada vez melhor e a fazerem negócios da china (não é a China de hoje, mas sim a china do antigamente; hoje eles devem dizer que fazem negócios de Portugal, ou parecido). Entretanto, o Tribunal de Contas, ao veio na televisão, tem andado por uns ministérios, e parece que concluíram que  nos gabinetes dos senhores ministros a austeridade não entra. Aliás tem sido bastante noticiadas as contratações de pessoal, com os subsídios todos, e mais regalias que por ali são atribuídas.

Mas o mais notável é precisamente a dívida portuguesa. Tem crescido imenso. A uns tipos gastadores e pouco produtivos como nós, pelo menos é disso que nos acusam, seria provável que não nos quisessem emprestar nada.  Dizem-nos que vão emprestando mas a um juro muito alto, por causa do risco. Pois. Mas agora vem o esquerda.net informar-nos que a dívida portuguesa já rendeu 57% a quem nela apostou, o dobro da irlandesa, e muito mais também que a dívida de outros países. Quer dizer que daqui a pouco tempo, por este andar, chegam aos 100 %. A informação foi obtida na Bloomberg, que a foi buscar a uma tal EFFAS – European Federation of Finantial Analyst Societies. Entretanto os principais beneficiados de toda esta conversa (vamos continuar a chamar-lhe assim, agora em vez de nomes feios) parece que são os bancos portugueses.

Entretanto, o Estado vai meter 1100 milhões no BANIF. Será que depois os bancos nos vão dar o dinheiro a nós? Era muito melhor. Pelo menos o dinheiro ficava cá. E nós não vamos jogar na Bolsa de Nova Iorque. E até compramos produtos portugueses, nem que seja ao chinês da frutaria. Não digam que as batatas e cebolas vêm da china. Isso era o cúmulo.

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