O EMBUSTE JUDAICO – UMA LENDA, UM SONHO… TRANSFORMA-SE NUM PESADELO – 4 – por Carlos Loures

 A ciência versus teoria do povo eleito. A mentira da «grande diáspora».

Temos estado a seguir, com o apoio de um excelente artigo de Miguel Urbano Rodrigues, o raciocínio de Shlomo Sand em Como foi inventado o Povo Judeu, obra que este professor de História daImagem1 Universidade de Telavive publicou em 2008 e que tem provocado escândalo em Israel (e não só). As conclusões a que chega, são demolidoras para a historiografia oficial do Estado de Israel, que elevou à condição de dogma o mito da pureza da raça, atribuindo a sucessivas diásporas a formação das numerosas comunidades judaicas que existem por esse mundo fora.

Todas as religiões, sem excepção, nascem de lendas, de fenómenos naturais promovidos a milagres, de mistificação, numa palavra. Muitos dos dogmas do catolicismo são fruto de arranjos, de acordos em concílios. O mito da virgindade de Maria terá nascido de um erro de tradução, do hebraico para o grego – «mulher jovem», foi traduzido por «mulher virgem». Mas quando o erro foi detectado, já a crença na «concepção sem pecado original» ganhara raízes e foi mantida e desenvolvida. O que se condena é que lendas e crendices dêem lugar a cruzadas, a inquisições, a fatwas e a crimes como o da ocupação do território da Palestina por gente que nada tinha realmente a ver com aquele território.

A Declaração de Independência de Israel afirma que, forçados ao exilio, os judeus se esforçaram ao longo dos séculos por regressar à Palestina, sua pátria ancestral. Segundo Sand, trata-se de uma mentira, de uma grosseira falsificação da verdade histórica. A grande diáspora é uma ficção, tal como as demais. Após a destruição de Jerusalém e a construção de Aelia Capitolina apenas uma insignificante minoria da população foi expulsa. A esmagadora maioria permaneceu no país. De onde surgem, nesse caso, os antepassados de 12 milhões de judeus actualmente existentes fora de Israel?

Respondendo a essa questão, o livro de Shlomo Sand clarifica o mito da pureza da raça e até o da etnicidade judaica. Uma abundante documentação reunida por historiadores de prestígio mundial revela que nos primeiros séculos da era de Cristo, se verificaram numerosas conversões ao judaísmo na Europa, na Ásia e na África. Três dessas conversões foram particularmente importantes e incomodam sobremaneira os teólogos israelitas.

É o que iremos ver a seguir.

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