ALI, ALÉM, ACOLÁ – por Fernando Correia da Silva

Um café na Internet

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Ali, além, acolá,                                                    

só dinheiro é que não há.

Será tamanha a fartura

que ninguém jamais procura

ser dono de coisa alguma.

Por isso não se costuma

usar tranca ou cadeado

apelar a magistrado,

condenar sem compaixão,

meter homem na prisão,

empurrá-lo para a guerra.

Onde fica essa terra?

Onde fica ou ficará?

Ali, além, acolá…

 

É povo, por natureza

Inclinado à gentileza.

Todos são donos de tudo,

porque todos fazem tudo

para todos. Mais distingo

ser ali sempre domingo.

É festa continuada,

irmandade partilhada

entre homens e mulheres,

bem te quero, bem me queres

sejam quais as gerações.

Desigual doutras nações,

onde fica ou ficará?

Ali, além, acolá…

 

Arribado me quisera

ao país da Primavera.

Com a minha confraria

hei-de ali surdir um dia

sem daqui arredar pé.

Trocar eu quero o que é.

Porém ânsia desmedida

troca-me as voltas da vida

e comigo me deparo

solitário ao desamparo

a pregar neste deserto.

O azul é tão incerto…

Onde fica ou ficará?

Ali, além, acolá…

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