POESIA AO AMANHECER – 128 – por Manuel Simões

BERNARDIM RIBEIRO

De B.R. a uma senhora que se vestiu d’amarelo

Té ‘qui me pud’enganar,

mas agora que podeis

trazê-la cor do pesar,

pera mim só a trazeis.

Ca dor do desesperar

é tanto mal de sofrer,

que não é pera passar,

quanto mais pera trazer.

 

Mas isto, daquel’arte vai

quando s’antre montes brada:

o tom é em uma parte,

em outra é a pandada.

Assim foi c’a minha dor

mostrou em vos o sinal,

porqu’ao menos na cor

vos lembrásseis do meu mal.

Do autor da “Menina e moça” também há composições no “Cancioneiro Geral” e esta não foge ao tema do sofrimento por amor, já patente nas “cantigas de amor” de influência provençal.

Glossário: “’Té ‘qui”: Até hoje; “trazê-la cor do pesar”: vestir a cor do luto; “antre os montes brada”: entre os montes se grita; “pandada”: eco.

Leave a Reply