O livro na sua forma tradicional foi aqui defendido, nem mais nem menos do que por Umberto Eco. Um artigo no Babelia – El e-book en busca de su primavera – dá-nos oportunidade de lembrar que, embora o livro impresso seja uma «invenção consolidada», como disse Eco, é natural que se estudem vias alternativas, suportes diferentes. O Carlos Loures escreveu para o nosso blogue uma série de posts o livro, a sua história, a sua problemática, e as perspectivas futuras, “O livro em questão”, série que começaremos em breve a publicar. Este assunto merece uma larga discussão. O livro, apesar da concorrência de outros meios de comunicação, como a televisão e o cinema, continua a ser o veículo mais importante de difusão de cultura. Apenas os jornais lhe farão, em alguns aspectos, uma concorrência séria. A situação tem muitas explicações, sem dúvida, que vão desde a portabilidade do livro, até à dependência que temos do sentido da visão. Será que a internet trará alterações decisivas a este estado de coisas? Proponho que o nosso blogue lance uma discussão alargada sobre este tema, primeiro entre os nossos colabores e leitores, a seguir com a participação de especialistas e pessoas interessadas.
Como aperitivo para a nossa conversa, vou referir-lhes que no Babelia de há meses atrás, na pág.2, a coluna que habitualmente ali aparece tem o título El e-book en busca de su primavera e vem assinada por Milagros del Corral, que foi directora da Biblioteca Nacional de Espanha, e agora preside ao Comité Científico de Unesco Focus 2011: Book Tomorrow. Este Comité ter-se-á reunido em Monza, em Itália, de 6 a 8 de Junho, numa reunião com o tema O livro amanhã: o futuro da palavra escrita. Talvez o nosso Sílvio Castro tenha tido algum eco desta reunião. Desde já aqui lhe peço que, se lhe for possível, nos informe sobre o assunto.
No seu El e-book en busca de su primavera, Milagros del Corral. Ela compara a irrupção do e-book com o aparecimento da imprensa nos meados do século XV e considera que isso ocasionará o aparecimento de uma indústria nova com as suas regras próprias. E que as funcionalidades digitais permitirão um alargamento sem precedentes dos hábitos de leitura de um público jovem que “nasceu digital”. Diz ainda a autora que nos EUA o e-book em 2010 representou 10% do total do mercado, e 8,3% da facturação, prevendo-se que 2015 alcance 22,5% do mercado. A Amazon já vende mais e-books que livros impressos.
A situação em Espanha é completamente diferente por uma série de factores. Falta de rentabilidade, pirataria, fiscalidade desfavorável, em conjunto com o receio de que a novidade desestabilize a cadeia tradicional do livro impresso. Milagros del Corral destaca o papel preponderante do leitor, que hoje em dia frequenta cada vez mais as redes disponíveis. E pergunta: para quando um grande portal de venda de e-books em espanhol?
Procurei resumir o artigo de Milagros del Corral. Compete-nos sem dúvida pôr a questão: como estão estes problemas em Postugal? E nos países lusófonos?
