A OCDE é uma organização internacional que actualmente engloba 34 países. Estão lá representados 34 países, actualmente, incluindo todos as potências ocidentais, e países como o México, a Turquia e o Chile. Em princípio procura agrupar os países defensores da democracia representativa e da chamada economia de mercado livre. Por outras palavras, agrupa os países inequivocamente alinhados no capitalismo. A Comissão Europeia participa nos trabalhos, em pé de igualdade com os estados membros da União Europeia.
Há dias os jornais noticiaram que a OCDE chegou à conclusão que Portugal cortou nas despesas de saúde o dobro que era previsto no acordo com a troika (veja-se no Público a notícia OCDE diz que Portugal cortou na saúde o dobro do que negociou com a troika, 1 de Fevereiro, http://www.publico.pt/sociedade/noticia/ocde-diz-que-portugal-cortou-o-dobro-na-saude-do-que-acordou-com-a-troika-1582923).
Efectivamente o relatório Health Spending Growth at Zero, Which Countries, Which Sectors are most affected, de Morgan, D. and R. Astolfi (2013), OECD Health Working Papers, No. 60, OECD Publishing. http://dx.doi.org/10.1787/5k4dd1st95xv-en
di-lo claramente. Diz o relatório, no ponto 28, pág. 13, que os cortes são obtidos na redução das isenções fiscais, dos sistemas de saúde para funcionários públicos, e na diminuição do pessoal de administração, em resultado da concentração e racionalização de hospitais.
Muito sucinto e discreto o relatório passa ao lado de questões muito sérias, como o caso dos enfermeiros, a extinção da maternidade Alfredo da Costa, a subida do preço dos medicamentos, e outras questões muito sérias. Contudo já nos dá uma ideia muito forte do que está a ocorrer no nosso país. Até à data não se conhecem reacções do nosso governo, a estas informações da OCDE. Se as conhecerem, digam-nos. Entretanto, sobe a taxa da mortalidade infantil, e agravam-se outros indicadores. Os idosos que morrem sós em casa, não é apenas por solidão, é também pela escassez de cuidados de saúde, e pelo elevado preço dos medicamentos. A saúde e a educação são os grandes alvos do sector capitalista, neste momento. Sem a concorrência dos serviços públicos, darão muito dinheiro a quem as dominar.

