Pentacórdio para Quinta-feira 7 de Fevereiro

por Rui Oliveira

 

 

  

Piotr Anderszewski 1   Dos relativamente poucos eventos do dia, o concerto que o pianista polaco (de origem) Piotr Anderszewski (esq.) dará nesta Quinta-feira 7 de Fevereiro com a Orquestra Gulbenkian dirigida pelo maestro checo Jakub Hruša (uma estreia) (dir.), às 21h no Grande Auditório da Fundação será provavelmente o mais relevante.

JAKUB HRUŠA (maestro) 1   O programa, inserindo-se no ciclo da “Integral das Sinfonias de Brahms” (de que é o segundo tempo), inclui obviamente a peça nº 1 do compositor alemão, já repetidamente tocada entre nós. Contudo há peças que são integral novidade, quer por ser a primeira ver que são apresentadas na Gulbenkian Música como a Sinfonia concertante (Sinfonia nº 4) do compositor polaco Szymanowski (1882-1937), quer por partirem de um compositor residente em 2012/13 como Marc-André Dalbavie, de que é reproduzida uma peça recentíssima que lhe foi encomendada pela Orquestra de Cleveland para a inauguração dum edifício projectado por Frank Gehry.

   O concerto é repetido na Sexta-feira 8 de Fevereiro às 19h e terá então a seguinte ordem de programação :

 

      Marc-André Dalbavie  Rocks under the Water

      Karol Szymanowski  Sinfonia concertante nº 4, op. 60

      Johannes Brahms  Sinfonia nº 1, op. 68

   Não há registo nem da peça de Brahms, nem da de Szymanowski pelo pianista polaco, mas encontrámos uma curta suite “L’île des Sirènes”, primeira parte de “Metopes”, op. 29 do compositor polaco descrevendo cenas da Odisseia de Homero, executada ao piano por Piotr Anderszewski.

   As segunda (“Calypso”) e terceira (“Nausicaa”) partes encontram-se aqui (para quem as queira ouvir)  :  http://youtu.be/6L1DbdkALIc

   Para ouvir a peça do concerto que (repetimos) é uma estreia entre nós, reproduzimos a execução que dela fez o pianista Tadeusz Żmudziński com a Polish State Philharmonic Orchestra dirigida por Karol Stryja :

 

 

estadobosque   No campo teatral o acontecimento desta Quinta-feira 7 de Fevereiro é a estreia no Teatro da Cornucópia, às 21h, da peça de José Tolentino de Mendonça (dir. cima) intitulada “O Estado do Bosque”, a qual estará em palco de Terça a Sábado (aos Domingos às 16h) até 24 de Fevereiro.

id_jose_tolentino_mendonca_gf   Tem encenação de Luis Miguel Cintra (em baixo) e interpretação de David Granada, Luis Miguel Cintra, Nuno Nunes e Vera Barreto. O cenário e figurinos são de Cristina Reis, a iluminação de Luis Miguel Cintra e Cristina Reis com Rui Seabra, sendo o som de Joaquim Pinto e Nuno Leonel tb. com Rui Seabra.

   Quanto ao tema :

   “Há um bosque. Há um cego que é o único que pode guiar os outros na travessia do bosque: John Wolf. Há o destino que pensava vencer o cego. Há um homem de meia idade e um homem mais novo que acabam por atravessar o bosque com o cego. Há uma rapariga que fica de fora: Vivianne Mars. John Wolf reza outra versão da “oração que Deus nos ensinou”. A poesia passa a ser teatro e o teatro poesia. Na floresta das metáforas”. (do site do Teatro)

teatro%20da%20cornucopia   Em torno da criação absoluta desta peça de José Tolentino de Mendonça houvera um pequeno ciclo de programação onde se fizera a leitura encenada por Luís Miguel Cintra de “Gennariello” de Pier Paolo Pasolini, incluído na recolha de textos: “Cartas Luteranas” (na tradução de José Colaço Barreiros) e, mais tarde, a leitura encenada (também por Luís Miguel Cintra) de dois capítulos de “Au Milieu des Vitraux de l’Apocalipse” de Paul Claudel (duas cartas à filha)(na tradução de Maria João Brilhante).

luis_miguel_cintra_   A propósito dele declarou Luis Miguel Cintra : 

   “O ciclo a que chamámos “O Nome de Deus” é quase um manifesto. A recente desvalorização explícita da utilidade pública do teatro e das artes em geral como consequência da declarada crise financeira, este momento de trevas em que não sabemos se teremos condições para continuar, vem precipitar uma indispensável reflexão sobre o nosso ofício que passa para nós pela reafirmação de uma evidência: a natureza política do nosso trabalho.

   Estamos inseridos numa sociedade que também está a tomar consciência de um vazio. É patente o sentimento de que cada um terá cada vez mais de saber o que quer e que é fundamental a revisão dos valores por que nos queremos reger porque a mentira do sistema político começa a ser evidente para todos e todos, ou quase todos, percebem que é necessário inventar outra vida, outra política, se queremos viver o que somos e sermos felizes…”

 

   Como outras actividades de interesse, registamos no campo musical a presença (cremos que pela primeira vez) no Onda Jazz, às 22h30, do agrupamento cultor do fado os “Rua da Lua”, composto por Tatiana Carmo voz, Rui Silva contrabaixo, Carlos Lopes acordeão, Tiago Oliveira guitarra clássica e Manú Teixeira percussões.

rua da lua (2)   Para sua apresentação diz a Onda Jazz :

   “Se o sol marca o ritmo das artes mecânicas, impõe a rotina daqueles que despertam todos os dias à mesma hora, a lua é a música dos mares e marés. É também a lua que nos ensina a arte do retardamento e do recomeço dos ciclos. E mente-nos de duas maneiras: aparecendo em forma de C quando não está crescente, e fingindo-se nova quando sabemos que é sempre a mesma lua que retoma a sua forma de invisibilidade antes de regressar ao círculo cheio… Era inevitável, neste culto do planeta mentiroso, que os Rua da Lua sentissem o apelo das marés e dos seus ciclos …”.

 

XIR159094miserables   Por último, para lá dos filmes em circuito comercial de exibição, saiba-se que há outros ciclos como os dos Institutos Francês, Alemão, Espanhol que temos noticiado, e ainda outros susceptíveis de despertar curiosidade como aquele que se inicia nesta Quinta-feira 7 de Fevereiro, organizado pelo conhecido crítico (e cineasta) Lauro António, às 17h, na Biblioteca Museu República e Resistência – Espaço Cidade Universitária  (Rua Alberto de Sousa, nº 10 – Zona B do Rego), intitulado “Os Miseráveis no Cinema e na Televisão” que se inicia pela apresentação do ciclo por Maria Helena Carvalho Santos e pelo organizador seguindo-se a projecção de alguns excertos de filmes.

   Nas Quintas-feiras seguintes (à mesma hora) até 23 de Maio serão exibidas versões diversas. A título de exemplo (para abertura do apetite) teremos em Fevereiro a 14 “Les Misérables”, 1958, de Jean-Paul Le Chanois, a 21 “Os Miseráveis”, 1935, de Richard Boleslawski e a 28 “Les Misérables”, 1952, de Lewis Milestone.

 

“Dans la Ville Blanche”.“Dans la Ville Blanche”1   Uma derradeira nota ainda cinematográfica, como NOTÍCIA EM ATRASO, noutro ciclo a que já fizémos referência “Portugal Visto de Fora” a decorrer na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, exibe-se na Quarta-feira 6 de Fevereiro (logo amanhã !) o filme de Alain Tanner em (e sobre) Lisboa intitulado “Dans la Ville Blanche”.

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui)

 

 

 

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