AS INCERTEZAS DO CONHECIMENTO – António Mão de Ferro

Pode enviar-se uma mensagem para todo o mundo num centésimo de segundo. No entanto tem-se grandes dificuldades em comunicar as coisas aos que estão próximos e é capaz de se levar anos a passar uma simples ideia! E porquê? Porque há uma tendência para o refúgio nas ideias feitas e o confronto com problemas não rotinados é uma complicação, que gera desconforto, desentendimento e resistência à mudança.

Todavia na situação atual é cada vez mais necessário, não só ter-se uma mente aberta, mas também ponderar várias hipóteses, testar várias alternativas, ver-se a si mesmo como um estranho ou um viajante que regressou de uma viagem, que espicaça e põe questões. Porque apesar da crise, há mundos para refazer e gente que quer mudar. E se se considerar que muitos factos em que se acredita são falsos ou disparates e que apesar de se dispor de informação como nunca se dispôs, aquilo que se sabe corresponde cada vez menos à verdade?!

Quando nos questionamos torna-se mais nítida a análise das situações e começa-se a ponderar a hipótese daquilo que se procura não ser visível, mas estar por aí, muitas vezes escondido, logo abaixo da superfície dos locais onde se procura. O conhecimento é um oceano de matizes diversas, daí que a estratégia a seguir tenha que levar em conta as certezas e incertezas, as probabilidades e improbabilidades, as várias abordagens sobre o assunto. Falar com um interlocutor sobre algo de que ele tem a certeza, ter-se uma visão contrária ao que ele diz, e aceitar a possibilidade de ser válido o que um e outro dizem, é reconhecer o encanto da realidade e as múltiplas maneiras de a encarar. São as diferentes perspetivas que abalam as certezas, levantam problemas, abrem a porta a novas discussões, e o caminho para o progresso.

Talvez pelo que se disse, e por muitas outras coisas não ditas, é que é mais fácil enviar mensagens para todo o mundo do que compreender o pequeno mundo em que se vive, e intervir nele. Pensar é um “desporto pouco praticado”. Prefere-se seguir os fazedores de opinião e confiar que os problemas que se vivem acabarão por ir sendo proporcionais à capacidade de outros os resolverem ou ultrapassarem

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